Souvenir



“Eu nunca fui uma moça bem-comportada. Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo.
(…) Sou dramática, intensa, transitória e tenho uma alegria em mim que quase me deixa exausta. Eu sei sorrir com os olhos e gargalhar com o corpo todo. Eu sei chorar toda encolhida abraçando as pernas. Por isso, não me venha com meios-termos, com mais ou menos ou qualquer coisa. Venha a mim com corpo, alma, vísceras, tripas e falta de ar…. Eu acredito é em suspiros, mãos massageando o peito ofegante de saudades intermináveis, em alegrias explosivas, em olhares faiscantes, em sorrisos com os olhos, em abraços que trazem pra vida da gente. Acredito em coisas sinceramente compartilhadas. Em gente que fala tocando no outro, de alguma forma, no toque mesmo, na voz, ou no conteúdo. Eu acredito em profundidades. E tenho medo de altura, mas não evito meus abismos. São eles que me dão a dimensão do que sou.”

Raquel de Queiroz

Foto antiga, há um ano atrás, e um texto que parece meu, minha descrição.

ilostyou - ilostyou

Cartaz Show - Cartaz Show

eu só vou se você prometer tocar “Só pra o vento” do Ritchie e dançá-la em ritmo de arrocha/bolero comigo. :)

Soundtrack: Androides Supersônicos

Can you hear?
Just like butterflies kissing the air
Fingers that touch the invisable
Eyes in the promise land of lovers
Why Am I so weak to give my heart away?
Always…
Like whores in old Paris
Forgiving and forgeting the pain
I wish I could cease to be
To travel to the unknow room of feelings
Empty…
Fearless…
Alone…

Augusto Filho

riolovesyou


Movie: Ponyo à Beira Mar

sempre desconfiei que eu fosse um peixe com barriga, um peixinho dourado, não um baiacu. risos.


. Movie: Castelo Animado (Howl’s Moving Castle)

será que você já apareceu nos meus sonhos-algodão-doce quando eu era uma menina?

hum, assisti com minha afilhada esse que é um dos meus desenhos favoritos…

“Diga-me com quem andas, que eu te direi quem és!”

“Love is a temporary madness. It erupts like an earthquake and then subsides. And when it subsides you have to make a decision. You have to work out whether your roots have become so entwined together that it is inconceivable that you should ever part. Because this is what love is. Love is not breathlessness, it is not excitement, it is not the promulgation of promises of eternal passion. That is just being “in love” which any of us can convince ourselves we are. Love itself is what is left over when being in love has burned away, and this is both an art and a fortunate accident… roots that grew towards each other underground, and when all the pretty blossom had fallen from our branches we found that we were one tree and not two.”

Você lembra dessas animações?

. O Coração do Homem (The Heart of The Man)

. Sonhos (Dreams)

Ao pessoal do Lifemotion: Sucesso sempre! :)

Uma poesia de Kubo para descrever um pouco sobre as festas em comemoração ao meu aniversário (muitos risos):

Da companheira inseparável! Somente ingratidão…
Que os vapores da noite inda incensavam
Só um banho lava do Louco que dela enamorado
E o pobre de coração amargurado
Enquanto ela se lavando no “sabão”

Apaixonou-se d’uma mulher bela;
Vivia alegre o vate apaixonado.
O beijo, que de uma boca encarnado
Prendeu-me na garganta como escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Já falava o poeta Augusto
Não adianta eu me sentir um puto
Escarra nessa boca que te beija!

As línguas vermelhas que o ar lambe
pulsando e hirto me arrebata,
Como um degenerado psicopata
Imploro-a carente de desejo inane

Ela bêbada de licores, cervejas em avatar
E eu bêbado de sono a esperar
Eu rezando sua presença em agonia
Ela em desfrute, com gays e lésbicas na borracharia

Vêm-me á imaginação sonhos dementes.
Acho-me, por exemplo, numa festa…
Tomba uma torre sobre a minha testa,
Caem-me de uma só vez todos os dentes!

E a figuras espectrais de bocas vermelhas
Tornam-me o pesadelo duradouro… O suor me ensopa
E suplicando com a voz rouca
Peço um beijo em delírio destas bocas…
Como uma lesma em um bolso de camisa
Ela se mostra e promete ficar despida
Desaparece, ignora-me e enquanto o seu corpo nutre
Vejo-me da boca pendurado no bico de abutre!

Kubo Kumeama

Ops! E a festa continua…
Hoje é aniversário da minha grande-mega-amiga, ex-companheira de quarto, ex-companheira de caronas estelares, atual amiga virtual e boicoteira de primeira linha!

my favorite flower in a cup of glass.

Elise McKenna - “I thought our love would be impossible, because you were so far from me.”
Richard Collier - “Far is a place that there isn’t to find two hearts.”

“E, no fim, o amor que você leva é igual ao amor que você faz.” - peguei essa tradução da música do Lennon/McCartney em um dos textos da antiga coluna de Jardel Sebba na revista Super Interessante Online.

“Toco a sua boca com um dedo, toco o contorno da sua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se, pela primeira vez, a sua boca entreabrisse, e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e desenha no seu rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade, eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto, e que, por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a sua boca, que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. Você me olha, de perto me olha, cada vez mais de perto, e então brincamos de ciclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam uns dos outros, sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem, com um perfume antigo e um grande silêncio. Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, acariciar lentamente a profundidade do seu cabelo, enquanto nos beijamos como se estivéssemos com a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E se nos mordemos, a dor é doce; e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu sinto você tremular contra mim, como uma lua na água.”

Julio Cotázar

…Dull days at forty, false friends at fifteen;
Let her have brave days and truth.
Let her go places that we’ve never been;
Trust and delight in her youth.

Ladies of Grace, and Ladies of Favour,
And Ladies of Merciful Night,
This is a prayer for a Blueberry Girl,
Grant her your Clearness of Sight.

Words can be worrisome, people complex;
Motives and manners unclear.
Grant her the wisdom to choose her path right,
Free from unkindness and fear.

Let her tell stories, and dance in the rain,
Somersaults, tumble and run;
Her joys must be high as her sorrows are deep,
Let her grow like a weed in the sun…

Neil Gaiman

Eu não sei quantos obituários eu já li recentemente sobre a morte do
CD. Eles têm aumentado cada vez mais (os obituários). Como se alguém
quisesse desferir, definitivamente, o golpe fatal. Muitos “bateram na
trave”. Como aquele sujeito que anunciou o fim da gravação de
“clássicos”, porque não compensa mais pagar as orquestras e os
executantes (que pedem cachês espalhafatosos). Eu tenho, obviamente, a
minha teoria. A diferença é que não quero (nunca quis) matar o CD
(para depois anunciar o feito em altos brados). Afinal, eu tenho uma
relação afetiva com ele (com o CD).

Passei metade da minha vida ouvindo CDs (a outra metade ouvindo LPs).
Ainda lembro do primeiro amigo que ganhou um CD de Natal. Era como uma
jóia rara; um objeto que tocávamos com as pontas dos dedos,
maravilhados. (Depois o CD se vulgarizou, e todo mundo cravou nele o
seu polegar e a sua impressão digital.) Até hoje, se vejo alguém
pegando o CD sem ser pelas bordas, sinto uma dorzinha funda no
coração. Pobre CD (agora até querem matá-lo…).

Embora muita gente tenha xingado o CD em termos sonoros (se comparado
às velhas “bolachas”), para nós, na puberdade, aquilo era um milagre.
Era compacto e era preciso (não era mais necessário arrastar o “braço”
até a faixa, e correr o risco de “arranhar” todo um lado). A execução
era nítida, sem nenhum chiado (o CD era imune a toda e qualquer
poeira; não sofria interferências através da agulha). Era bonito (com
aquele efeito prismático: da luz que batia e produzia um arco-íris
sobre a face “tocável”). E era – se a expressão já tivesse sido
inventada – “o máximo”.

De repente, ninguém sabia mais o que fazer dos velhos long-plays (eu
tenho os meus até hoje). Nosso desejo era trocar tudo por CD, mas,
como o CD era caro, seríamos obrigados a passar nossa discoteca a
limpo: compraríamos, em CD, apenas o que tivéssemos de melhor (em LP).
E eu passei anos selecionando os álbuns que cobiçava: só adquiriria
(em CD, porque em LP alguns já nem havia mais) quando valessem mesmo a
pena (comprar). Era uma espécie de preciosismo que, com o LP, nunca
houve (eu economizava no lanche e, depois, comprava um LP no
supermercado – para você ver como era barato…).

Eu comprei meus primeiros CDs nos Estados Unidos (na minha época,
havia aquelas viagens tipo Stella Barros – quando o dólar não era uma
exorbitância e quando a classe média ameaçava prosperar). Os CDs de lá
vinham naquelas caixas de papelão compridas, que reproduziam as capas
e que nós tínhamos dó de jogar fora. Adquiri, também (é óbvio), um CD
player – e escutava no quarto do hotel extasiado.

Eu amava os meus CDs e poderia escrever todo um parágrafo sobre as
gerações de estantes que fui acumulando ao longo dos anos. Desde
aquelas que deixavam os disquinhos de pé, de frente e meio inclinados
– para serem manuseados em fila indiana –, até as “colméias”, que
podem preencher uma parede inteira e que são percorridas
longitudinalmente com os olhos. Tenho também, claro, um suporte ou uma
estante que gira (para algumas centenas de discos, mas que acaba toda
tomada), e já fui aconselhado a guardá-los todos sem caixas (mas e o
encarte?, e o projeto gráfico?).

Lembro que as capas dos LPs ficavam amassadas e era um martírio
emprestar um álbum. Tinha um amigo que era “mestre” em devolver os
discos sem o encarte interno (também em papelão ou em papel melhor) e
eu tentava proteger a minha coleção usando plásticos grossos que
adquiria no centro da cidade. Com o CD, tudo isso acabou (muitos
reclamam, com razão, do fim da “arte”, mas a impressão que tenho é que
ficou mais fácil conservar). A caixa do CD era dura e, se ficasse
gasta ou arranhada, bastava trocar – sem prejuízo para a capa e o
encarte, que se mantinham intactos (não a salvo, logicamente, dos
amigos descuidados, que faziam o diabo…).

Outra coisa que sempre leio (ou ouço falar) é que “comprar CD”
(original, não-”pirata”) virou coisa de quem tem mais de 30 anos. E a
justificativa acompanha em uníssono (por parte dos compradores): – “É
que eu gosto de pegar, de conhecer as letras, de ver o encarte…”.
Tenho a impressão, novamente, de que essa turma pegou a fase do LP,
aprendeu a valorizar o recheio não-musical do “álbum” e, hoje, ainda
faz questão de ter uma capa decente (”não-xerocada”) e o projeto todo
da maneira como foi concebido pelo autor (com contracapa, créditos,
fotos, terceira e quarta capas). Mas então chegamos a uma questão
crucial, mesmo para quem ama os CDs originais: – Como pagar R$ 40 (US$
13,33) por uma coisa que está sendo vendida, na esquina, a R$ 5 (US$
1,67) – oito vezes mais barato?

Todo sentimentalismo escorre pelo ralo, ainda mais quando se pode
copiar – em casa – aquele CD do seu amigo, do seu irmão, da sua
namorada por R$ 1 (preço do disquinho “virgem”, descontando, é claro,
o custo do gravador, que, a longo prazo, se dilui no total).

Eu confesso que me rendi à pirataria doméstica, como, aliás, todo
mundo que ama música, que tem alguma queda por tecnologia e que não
pensa duas vezes ao presentear entes queridos ou ao duplicar aquele CD
que, para si, tem tanto significado… Então chegou o Kazaa, a troca
de arquivos pela internet, e eu – que havia resistido bravamente em
rodar o programa que traz vírus, gera processos e arruinou gravadoras
– instalei o software e tive minha primeira experiência num universo
pós-CD (pós-”suporte”, na verdade).

Foi indescritível. Em poucos dias (ou sessões de download), reuni
faixas inéditas de um certo conjunto, que procurava há mais de dez
anos (há um terço da minha vida, portanto). Gravei meu primeiro CD
100% pirata (ainda não sou tão adepto do MP3 – sou da geração CD,
lembram?) e fui escutar no carro. Não acreditei no resultado. Não era
perfeito, mas era quase perfeito. E eu vivenciei minha segunda
“revolução” musical (a primeira foi a do CD – e não a dos Beatles).

Aí me convenci, serenamente, de que o CD vai mesmo acabar. As
discotecas do mundo inteiro vão, um dia, estar acessíveis na internet.
Os preços do disquinho (original) se tornarão mais e mais extorsivos.
Só nos restará adquirir CD-Rs (ou o que for até lá) por R$ 1 (ou
menos) e montar nossas próprias “estantes” reais (ou virtuais). Eu
amei o CD e queria que ele tivesse durado a eternidade, mas, como
você, não consigo fechar os olhos para a realidade atual. Tchau, CD,
foi bom te conhecer.

por Julio Daio Borges / Digestivo Cultural

Roubei do canteiro dele, o que ele traduziu do final de semana que passamos juntos:

De volta ao meu canteiro

As coisas que eu escrevi e não li, as que eu mandei se perderam no caminho também. O caminho entortou e parou na esquina de casa. Minha casa é longe da sua. No mapa não tem aquela rua e eu tive medo de não ver esses seus olhos cor de cajuína. A lua é uma fruta madura pendulando sobre a minha cabeça enquanto espero impaciente no banco da praça, atrás da igrejinha.

O medidor de horas me roubou as frases antes mesmo que eu dissesse. Eu não disse, mas você sentiu e olhou para o lado tentando entender o meu olhar perdido por entre as luzes do farol. Não é laranja nem canela, é um cheiro que eu não sei dizer e sempre, sempre me fará lembrar das horas passadas no seu canteiro.

Tudo isso ali, onde a sereia canta baixo para não espantar o pescador no seu barco espumado pelas ondas que arrebentam na areia. Ali, onde os loucos anoitecem gozando o que a sanidade não oferece. Tudo lento, quase parando quando eu quis voltar e olhar uma mais vez sem evitar esbarrar no mar de gente que descia a rampa.

Quanto a mim, deixei a alegria escapar dos olhos e a saudade amarrada na mochila com dois nós e um laço. É hora de partir, ficar é um luxo que os loucos e amantes não costumam usufruir. Quanto a você, sei quase nada e esse nada me basta pra querer voltar, quem sabe, um dia.

Uma de tantas msicas que me definem:

It’s only when I lose myself in someone else
That I find myself
I find myself

Something beautiful is happening inside for me
Something sensual, it’s full of fire and mystery
I feel hypnotised
I feel paralysed
I have found heaven

There’s a thousand reasons
Why I shouldn’t spend my time with you
For every reason not to be here
I can think of two
To keep me hanging on
Feeling nothing’s wrong
Inside your heaven

I can feel the emptiness inside me
Fade and disappear
There’s a feeling of contentment
Now that you are here
I feel satisfied
I belong inside
Your velvet heaven
Did I need to sell my soul for pleasure like this
Did I have to lose control to treasure your kiss
Did I need to place my heart in the palm of your hand
Before I could even start to understand

It’s only when I lose myself in someone else that I find myself - Depeche Mode

There’s a song that’s inside of my soul
it’s the one that I’ve tried to write over and over again
Im awake in the infinite cold
but you sing to me over and over and over again

Chorus:
So I lay my head back down
and I lift my hands and pray to be only
I pray to be only yours
I know now you’re my only hope

Sing to me the song of the stars
of your galaxy dancing and laughing and laughing again
when it feels like my dreams are so far
sing to me of the plans that you have for me over again

Chorus

I give you my destiny
Im giving you all of me
I want your symphony
singing in all that I am
at the top of my lungs
I’m giving it back

Chorus

Beck

Your sorry eyes cut through the bone
Seu olhar triste atravessa os ossos
Make it hard to leave you alone
Torna difícil te deixar sozinho
Leave you here wearing your wounds
Te deixar aqui vestindo suas humilhações (seus ferimentos)
Waving your guns at somebody new
Apontando suas armas para um novo alguém.

[chorus]:
Baby you’re a lost, baby you’re a lost

Querido vc está perdido, querido vc está perdido
Baby you’re a lost cause
Querido vc é uma causa perdida.

There’s too many people you used to know
Há muitas pessoas que vc costumava conhecer
They see you coming, they see you go
Eles vêem vc chegando, eles vêem vc ir
They know your secrets, and you know theirs
Eles sabem seus segredos, e vc sabe os deles
This town is crazy, nobody cares
Essa cidade é louca, ninguém se importa

[chorus]
I’m tired of fighting, I’m tired of fighting

Eu estou cansado de lutar, eu estou cansado de lutar
Fighting for a lost cause
Lutar por uma causa perdida

There’s a place you are going
Há um lugar onde vc está indo
You ain’t never been before
Que vc nunca esteve lá antes
No one laughing at your back now
Ninguém ri pelas suas costas agora
No one’s standing at your door
Ninguém está esperando na sua porta
That’s what you thought love was for
Vc pensou que o amor era para isso.

[chorus]
I’m tired of fighting, I’m tired of fighting

Eu estou cansado de lutar, eu estou cansado de lutar.
Fighting for a lost cause
Lutar por uma causa perdida

Quem são estes desgraçados,
Que não encontram em vós,
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fria do algoz?
Quem são?… Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvela
Como um cmplice fugaz,
Perante a noite confusa…
Dize-o tu, severa musa,
Musa libérrima, audaz!

São os filhos do deserto
Onde a terra esposa a luz.
Onde voa em campo aberto
A tribo dos homens nus…
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão…
Homens simples, fortes, bravos…
Hoje míseros escravos
Sem ar, sem luz, sem razão…

(ALVES, 2000, p.90)

O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis ,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

Isso se aplica a nós, Renato.

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos.
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo.
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas, nem a fascinação das promessas.
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma…
um sossego, uma unção, um trasbordamento de carícias.
E só te pede que repouses quieta, muito quieta.
E deixe que as mãos cálidas da noite
Encontre sem fatalidade o olhar extático da aurora.

Vinícius de Moraes

Transfere de ti para mim
Essa dor de cabeça, esse desejo, essa vidência.
Que careça em ti o meu excesso
Que me falte o que tu tens de sobra.
Que em mim perdure o que te morre cedo
E que te permaneça o que tenho perdido.
Que cresça, se desenvolva em teus sentidos
Que em mim desapareça.
Dá-me o que de possuir tu não te importas
E eu multiplico o que te falta e em mim existe.
Para que nosso encaixe forme uma unidade.
Indivisível.
- Que não se possa subtrair uma metade.

Bruna Lombardi

[ Recado Social ]
Estava lendo isso hoje, e acho que é de extrema importncia ser do conhecimento de todos esse tipo de atividade. Assim você percebe que algumas pessoas não ficam sentadas esperando à morte chegar.

Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas lamentou-se o jovem Estudante. Mas, em todo o meu jardim, não há nenhuma rosa vermelha.

De seu ninho, no alto de um azinheiro, o Rouxinol o ouviu e, admirado, olhou por entre as folhas.

Nenhuma rosa vermelha em todo o meu jardim lamentou-se. E seus lindos olhos se encheram de lágrimas. Ah, como é frágil a felicidade! Li tudo que os sábios escreveram. Sei de todos os segredos da filosofia. Mesmo assim, por falta de uma rosa vermelha, sou um desgraçado nesta vida.

Enfim, um verdadeiro amante disse o Rouxinol. Noite após noite cantei canções em seu louvor, sem nunca tê-lo conhecido. Noite após noite contei sua história às estrelas e agora o vejo. Tem os cabelos escuros como a flor do jacinto e os lábios vermelhos como a rosa que lhe falta, mas a paixão deixou-lhe o rosto pálido como o marfim e a tristeza selou seu semblante.

O Príncipe dará um baile amanhã à noite murmurou o jovem estudante e minha amada estará entre os convidados. Se eu lhe levar uma rosa vermelha, dançaremos até o alvorecer. Se eu lhe levar uma rosa vermelha, tomá-la-ei em meus braços e ela deitará a cabeça em meu ombro e em minha mão pousará a sua. Mas, não há rosas vermelhas em meu jardim. Por isso, eu me sentarei sozinho em um canto e ela nem tomará conhecimento de mim. Ela passará por mim sem me notar e meu coração se partirá.

Aí está, de fato, o verdadeiro amante disse o Rouxinol. As canções que canto, ele as vive em sofrimento. As histórias com que me alegro são as de sua dor. O Amor é mesmo maravilhoso. mais precioso que os diamantes e mais estimado que a mais fina opala. Pérolas e romãs não podem comprá-lo, nem se pode encontrá-lo nos mercados. Os comerciantes não o vendem e a balança não é capaz de medir seu peso em ouro.

Os msicos se sentarão em suas galerias disse o jovem estudante , farão soar as cordas de seus instrumentos e minha amada dançará ao som das harpas e violinos. E ela dançará tão suavemente que seus pés não tocarão o chão. Os cortesãos, em seus trajes festivos, formarão rodas em torno dela. Mas, comigo ela não dançará, porque eu não tenho uma rosa vermelha para lhe dar.

Atirou-se então na grama, enterrou o rosto nas mãos e caiu em pranto.

Por que ele está chorando? perguntou um pequeno Lagarto Verde, ao passar ao seu lado com a cauda levantada.
. Por quê? disse uma Borboleta, que voejava em busca de um raio de sol.
. Por quê? sussurrou uma margarida a outra, a voz suave e delicada.
Ele está chorando por uma rosa vermelha disse o Rouxinol.
Por uma rosa vermelha? exclamaram. Que ridículo atroz!

E o pequeno Lagarto, que era um tanto quanto cínico, caiu na gargalhada. Mas o Rouxinol sabia o segredo da tristeza do Estudante e pousou em silêncio no galho de um carvalho, refletindo sobre o mistério do Amor. De repente, ele abriu as asas castanhas e alçou vôo. Passou pelo pequeno bosque como uma sombra, e como uma sombra cruzou o jardim. No centro do gramado, havia uma bela Roseira. E, quando ele a viu, voou em direção a ela e pousou em um de seus ramos.

Dê-me uma rosa vermelha pediu e eu lhe cantarei a mais bela canção.

A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.

Minhas rosas são brancas respondeu , brancas como a espuma do mar e mais brancas que a neve que cobre a montanha. Mas vá ter com minha irmã que mora ao redor do velho relógio de sol. Talvez ela tenha o que você quer.

O Rouxinol então voou até a Roseira que morava ao redor do velho relógio de sol.

Dê-me uma rosa vermelha pediu e eu lhe cantarei a mais bela canção.

A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.

Minhas rosas são amarelas respondeu , amarelas como os cabelos da sereia que reina em seu trono de mbar e mais amarelas que o narciso que floresce nos campos antes que o ceifador venha com seu alfange. Mas vá ter com minha irmã que mora embaixo da janela do Estudante.

O Rouxinol então voou até a Roseira que morava embaixo da janela do Estudante.

Dê-me uma rosa vermelha pediu e eu lhe cantarei a mais bela canção.

A Roseira, porém, sacudiu a cabeça.

Minhas rosas são vermelhas respondeu , vermelhas como as patas das rolinhas e mais vermelhas que as grandes flores-de-coral que serpeiam nas profundezas do oceano. Mas o frio do inverno gelou minhas veias, a geada queimou meus botões e a tempestade quebrou meus ramos. Por isso, nenhuma rosa terei este ano.

Tudo o que eu quero é uma rosa vermelha desesperou-se o Rouxinol , uma nica rosa vermelha! Será que não há nenhum meio de conseguí-la?
Há um meio respondeu a Roseira , mas é tão terrível que não ouso contar-lhe.
Conte-me disse o Rouxinol. Não tenho medo.
Se você quer uma rosa vermelha prosseguiu a Roseira , terá de cantar à luz do luar até nascer uma rosa, e tingí-la com o sangue de seu coração. Você terá de cantar para mim com o peito comprimido contra um espinho. Por toda a noite terá de cantar para mim com um espinho cravado no coração, até que o sangue que lhe dá vida corra em minhas veias e se torne meu.

A Morte é um alto preço a se pagar por uma rosa vermelha queixou-se o Rouxinol , e a Vida é por todos estimada. Encanta-me pousar na verde relva e contemplar o Sol em sua carruagem de fogo e a Lua em seu rosário de pérolas. Doce é o perfume do jasmim; doces os lírios-do-vale e as magriças que desabrocham nas colinas. Ainda assim, o Amor é melhor que a Vida. E como pode o coração de um passarinho comparar-se ao de um homem?

Ele então abriu as asas castanhas e alçou vôo. Passou pelo jardim como uma sombra, e como uma sombra cruzou o pequeno bosque.

O jovem Estudante continuava estirado na grama, onde ele o deixara, e as lágrimas ainda não haviam abandonado seus lindos olhos.

Alegre-se disse o Rouxinol , alegre-se; você terá sua rosa vermelha. Cantarei à luz do luar até nascer uma rosa e tingí-la-ei com meu próprio sangue. Tudo que lhe peço em troca é que seja um verdadeiro amante, pois o Amor é mais sábio que a Filosofia (e quão sábia é ela…) e mais forte que o Poder (e quão forte este é…). As asas do Amor são da cor do fogo e, como o fogo, colorido é o seu corpo. Doces como o mel são seus lábios e seu hálito é como o incenso.

O Estudante, deitado na grama, levantou os olhos e ouviu, mas não entendeu o que o Rouxinol lhe dizia, pois não era capaz de compreender senão as coisas que se escrevem nos livros. O Carvalho, porém, entendeu. E se entristeceu, porque muito estimava o pequeno Rouxinol que um dia havia feito um ninho em seus galhos.

Cante-me uma ltima canção suplicou , sentirei muita solidão quando você partir.

O Rouxinol então cantou para o Carvalho, e sua voz era como água vertendo de um jarro de prata. Quando o Rouxinol terminou sua canção, o Estudante levantou-se e sacou de seu bolso um caderno e um lápis.

Ele tem método pensou o estudante, enquanto atravessava o pequeno bosque a caminho de casa isso não se lhe pode negar; mas terá sentimento? Temo que não. Na verdade, ele é como a maioria dos artistas: sobra-lhe estilo e lhe falta sinceridade. E não se sacrificaria por outros, pois pensa apenas na msica. Todo mundo sabe que a arte é egoísta. Não obstante, deve-se admitir que há belas notas musicais em sua voz. uma pena que nada signifiquem e que de nada sirvam.

Entrou então em seu quarto, deitou-se em sua cama de palha e começou a pensar na amada. Um pouco depois, adormeceu.

E quando a Lua brilhou no céu, o Rouxinol voou até a Roseira e lançou-se de encontro ao espinho. Por toda a noite ele cantou com o espinho em seu peito, e a fria Lua de cristal inclinou-se e escutou. Por toda a noite ele cantou, o espinho cravando cada vez mais fundo no peito, até que seu sangue se exauriu.

Ele primeiro cantou o amor que nasce no coração de dois jovens. E no mais alto ramo da Roseira, uma linda rosa desabrochou. Uma a uma, as pétalas despontavam, assim como uma a uma soavam as canções. De início, a rosa era alva como a bruma que cobre o rio alva como a face da manhã e cor de prata como as asas da aurora. Reflexo de uma rosa em um espelho de prata ou em uma lagoa de cristal, assim era a flor que nasceu no mais alto ramo da Roseira.

Mas a Roseira rogou ao Rouxinol que apertasse ainda mais o peito contra o espinho.

Aperte mais, pequeno Rouxinol disse a Roseira , ou o dia nascerá antes que a rosa esteja pronta.

O Rouxinol então pressionou ainda mais o peito contra o espinho. E cada vez mais alto soava sua msica, pois cantava a paixão que nasce na alma de um homem e de uma donzela.

As pétalas coraram-se de um delicado tom de rosa, como o que cora a face do noivo quando ele beija os lábios da noiva. Mas, como o espinho ainda não atingira o coração do passarinho, o da rosa continuava branco, pois apenas o sangue do coração de um Rouxinol pode enrubescer o coração de uma rosa.

E a Roseira rogou ao Rouxinol que apertasse ainda mais o peito contra o espinho.

Aperte mais, pequeno Rouxinol disse a Roseira , ou o dia nascerá antes que a rosa esteja pronta.

O Rouxinol então pressionou ainda mais o peito contra o espinho. E o espinho tocou seu coração, infligindo-lhe uma dor atroz. Cruciante, intolerável era a dor e cada vez mais frenética era a msica, pois que ele cantava o Amor que a Morte torna perfeito, o Amor que no tmulo não morre.

E a linda rosa era agora escarlate, como a rosa que nasce no leste. Escarlate era a coroa de pétalas e rubro como um rubi era o seu coração.

Mas a voz do Rouxinol ficou mais fraca. Suas asinhas começaram a bater e uma fina névoa embaçou-lhe os olhos. Cada vez mais baixo ele cantava, e sentia algo a lhe apertar a garganta.

Então de seu peito irrompeu uma derradeira explosão de msica. A Lua muito branca escutou-a e esqueceu-se da aurora, demorando-se no céu. A rosa vermelha escutou-a e, toda trêmula em êxtase, abriu suas pétalas no ar frio da manhã. Eco a conduziu até sua prpura caverna nas colinas e acordou de seus sonhos os pastores adormecidos. Ela flutuou por entre os juncos do rio, que levaram sua mensagem ao mar.

Veja! Veja! exclamou a Roseira A Rosa está pronta.

Mas, o Rouxinol nada respondeu, pois jazia morto no gramado com o espinho cravado no coração.

Ao meio-dia, o Estudante abriu a janela do quarto e espiou lá fora.

Ora essa! Que sorte incrível! exclamou Uma rosa vermelha bem aqui! Nunca vi uma rosa como esta em toda minha vida. tão deslumbrante que certamente deve ter um nome bem comprido em latim.

Então inclinou-se e arrancou a flor. Depois colocou seu chapéu e, com a rosa na mão, correu até a casa do Professor. Sentada à porta com seu cachorrinho deitado a seus pés, estava a filha do Professor, enovelando um carretel de seda azul.

Você disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse um rosa vermelha lembrou-lhe o Estudante. Aqui está a rosa mais vermelha do mundo. Você vai usá-la junto ao peito esta noite e, quando estivermos dançando, ela lhe dirá quão grande é o meu amor por você.

A garota franziu as sobrancelhas.

Não creio que ela combine com meu vestido respondeu. Além disso, o sobrinho do Tesoureiro da Cidade enviou-me jóias de verdade. E todo mundo sabe que jóias custam muito mais que flores.

Palavra de honra que você é muito ingrata disse o Estudante, nervoso.

E atirou na rua a rosa, que foi parar na sarjeta, onde acabou esmagada pela roda de uma carroça qualquer.

Ingrato! exclamou a garota. Sabe de uma coisa? Você é muito grosseiro. Além do mais, não passa de um Estudante. E nem ao menos usa sapatos com fivela de prata, como os do sobrinho do Tesoureiro. Inacreditável!

Levantou-se então da cadeira e voltou para dentro de casa.

Que tolice é o amor refletiu o Estudante, enquanto retornava. Não tem nem a metade da utilidade da Lógica. Além de não provar coisa alguma, está sempre iludindo as pessoas e fazendo-as acreditar em inverdades. Com efeito, não tem praticidade alguma. E, como hoje em dia praticidade é tudo, voltarei à Filosofia, vou estudar Metafísica.

De volta ao seu quarto, o Estudante retirou da prateleira um grande e empoeirado livro e começou a ler.

Oscar Wilde.

“Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso, porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei, eu nada sei

Conhecer as manhãs e as manhas,
o sabor das massas e das maçãs,

é preciso o amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir,
é preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
compreender a marcha, e ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro levando a boiada,
eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou,
de estrada eu sou

Todo mundo ama um dia todo mundo chora,
Um dia a gente chega, no outro vai embora

Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz,
e ser feliz

Ando devagar porque já tive pressa
e levo esse sorriso porque já chorei demais

Cada um de nós compõe a sua história,
e cada ser em si, carrega o dom de ser capaz, e ser feliz.”

Almir Sater

Ao remexer meu ba de magia, encontrei isto aqui:

Soneto

Sou a que existe pelo mundo afora
vestida de mil formas e mil cores,
e, em toda parte estou, a qualquer hora,
a dar-lhe tanto graça como odores.

Nos dias atuais, bem como outrora,
sempre a inspirar os mais belos amores,
a humanidade toda que me adora,
me fez musa de poetas e pintores.

A frequentar palácio e catedral,
vou, também, à choupana e à cruz da estrada,
à festa mais alegre e ao funeral.

Sou algo assim como a expressão do amor
- a criação de Deus mais inspirada -
eu sou enfeite e vida - sou a flor.

Desconheço o autor.

“Era um homem e detestava se ver de ceroulas. Ela era Maria, e cada mancha na sua ceroula, cada botão e cada fio, cada odor e cada toque, faziam os bicos dos seios dela doerem com um jbilo que vinha do meio da terra. Estavam casados há quinze anos e ele tinha uma língua e falava bem e frequentemente disso e daquilo, mas raramente havia chegado a dizer eu te amo. Ela era sua mulher e falava raramente, mas o cansava com seus constantes eu te amo”.

Espere a primavera, Bandini - John Fante.

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