Saudade


ilostyou - ilostyou

Saudades de dançar com o dedão do seu pé.
Dos seus dias cheios de hits.
Das suas reclamações sobre a vida.
E de como se criam os filhos hoje em dia.

A quem acredite que a dor da perda pode ser superada com o passar do tempo.
Ledo engano… Tem perdas em que a dor aumenta, e a falta do dia-a-dia se converte em mais e mais saudades.
Até hoje, quando eu sento para conversar contigo no meu quarto à noite, eu sinto uma mistura de sentimentos tão grandes… E, às vezes, o que me consola, é olhar fundo nos meus olhos no espelho e vê-la lá dentro. Dentro de mim.
5 anos sem meu tudo: minha mãe, minha melhor amiga, minha irmã, meu chão, meu grande amor, minha vida.


Soundtrack: She Has No Time - Keane

Entre a solidão de uma sala de três paredes brancas e uma azul, algumas almofadas. Uma música em loop infinito. Uma imagem em fundo branco com rococós pretos no meio. Uma folha de papel na mesa com palavras em português para serem traduzidas para inglês. A franja do cabelo cobrindo o rosto até a boca. A luz da impressora piscando. Mensagens na tela LCD em cor laranja. E o coração no peito quase parando com aquela saudade estranha.

Entre a solidão da areia, do mar, dos barcos e de pássaros à volta. Sensação falsa de paz com o desconforto de grãozinhos de areia por todo o corpo. Seres vivos de diversas formas me observando. O sol escondido atrás das nuvens por causa de uma senhorita de pele ofuscante. A vida ao redor continua, enquanto eu, ali parada, pensando em não fazer nada da vida.

Entre a solidão de um quarto de paredes azuis (?). Um copo cheio de água do lado do laptop. O ventilador parado. A chuva torrencial pela fresta da janela. A mesma música em loop infinito. Ela me conecta a você. A visão do mesmo abismo. Aumento o volume do headphone e do grito interno. Encho baldes com dor e lágrimas. Danço e sangro girando com a saia vermelha. Eu ainda sinto saudades dos dias cheios de você. Mas que você? Eu não me lembro. E se lembro, procuro esquecer. O copo cheio de água entorna. Eu me desconecto.


Soundtrack: Paper Bag - Dear and The Headlights (música em repeat)

I’m like a paper cup with a pin prick
You can fill me up but I’ll only stay full for a while
And wisdom’s only shown me that my loneliness is all my fault
And it’s all my fault

And I don’t know
What I have done wrong

You say you understand me well I don’t get you at all
It seems everyone around me is so good at faking it that I don’t know
Just how to act
Around you

I’m like a paper bag but the bottoms wet
It must be something bleeding internally inside
I didn’t know the things that you never did could stay with you your whole life

And I don’t know
What I have done wrong

You say you understand me well I don’t get you at all
It seems everyone around me is so good at faking it that I don’t know
Just how to act
Around you
And how to act
About you

I’ve got a memory but I can’t hear what you’re saying
You’re looking straight at me but I’m looking the other way

pensa en mi, menuda, pensa en mi…

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Soundtrack: Menuda - Immigrasons

E ela caminhava alegre, vestido solto, olhos atentos e pés descalços ao abrir o portão naquela noite. Ela já tinha escrito várias cartas para ele, uma contando sobre a rotina dela, nada de muito especial, era adolescente e a vida se mostrava como um mar de rosas abarrotados de espinhos-problemas, e outras cartas relacionadas aos dias festivos como aniversário e natal. Ele nunca respondeu as cartas com cartas, respondia com ligações demoradas num telefone público sob o luar. Ela tinha medo do que as suas palavras escritas causavam no rapaz, mas não o poupou de suas poesias, mesmo aquelas que não eram direcionadas a ele. Num belo dia, lá estava ele parado diante dela no portão de casa. Ele sorria bastante, conversaram bastante e ele elogiou bastante o formato do pé e dedos dela. Brincavam como se eles se conhecessem há anos, e até então, nunca tinham sequer se visto. Esse foi um dos ciclos, que começou em 1994 e terminou numa noite de 1996.

E esses encontros continuaram acontecendo, passaram-se os anos, a vida, os amores, os adolescentes cresceram (ele é mais velho que ela só dois anos), amadureceram, as visões do mar se distorceram, eles se encontraram outras vezes, eles se casaram com outras pessoas, se separaram, um tem filha, o outro não. E de repente, um reaparece pro outro de novo. Assim, num piscar de olhos, por uma conta criada no Facebook. E um outro ciclo inicia agora, ela na mesma cidade, ele cada vez mais distante. Distante sim, de conceitos, em quilômetros, de vida. Ela, com as mesmas brincadeiras e livros do Sandman, ele sempre com as mesmas palavras e lembranças doces sobre ela, sobre os encontros loucos que tiveram durante todos esses anos. Continuam amigos sim, e ela preocupada por ele estar magoado com ela pelo último encontro. Quando ela fugiu da força que ele tinha no olhar.

E ele manda pra ela, através de outro site de redes sociais, uma música que descreve ela pra ele. Uma síntese, talvez, do que ela, as palavras e os encontros representaram na vida dele durante todos esses anos. A mãe dela ouvia muito essa música. E ela gostava de ouvir junto. E nunca imaginou alguém dedicando essa mesma música pra ela.
Obrigada.


Soundtrack: F. comme Femme - Adamo

father

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Happy Father’s Day!

Eu já tinha acostumado com a sua presença em todos os meus dias. Eu sabia que no início do mês você voltaria pra sua vida no outro extremo do país. Mas eu não consigo me acostumar com a idéia de vê-lo partir. Tantas vezes vê-lo chegar e partir na minha vida. Parece que nos meus trinta anos, você sempre agiu dessa maneira, indo e vindo, me arrancando pedaços. Pedaços tão importantes, que não voltam mais, como os hiatos que temos na minha adolescência e no começo da minha fase adulta.

Foi por você a minha depressão, a minha ida a análise e a criação de um blog, não o término daquele namoro falido. Quando há oito anos, você saiu por aquela porta indo para outra família, de volta a sua cidade natal, não olhando para trás. Porque se em algum momento, você tivesse olhado, nem que fosse por alguns segundos, vendo o meu rosto ensopado de lágrimas, eu sei que não me deixaria. Mas eu entendi, no fundo, eu compreendo, não se preocupe. Nessa vida o que todos nós queremos é ser feliz, você tem esse direito, você tinha outra família para cuidar, outras aventuras para buscar. Uma vida diferente da que se encontrava. O estranho é ouvi-lo falar dos vinte e sete anos em que viveu aqui com uma saudade na voz e no olhar.

Foi por você, com a sua força e os seus ciúmes, que eu consegui me erguer tão rápido do fim do meu casamento. Mudei completamente o meu corpo, seguindo os seus conselhos e as suas dietas muito divertidas. E se desejo ir embora da minha cidade atrás de grana e da carreira é porque eu quero que você sinta o máximo de orgulho de mim. Da sua garota que o leva ao cinema para assistir desenhos animados, e com quem teve os piores momentos dentro de um parque de diversões. Como por exemplo, rodando até enjoar nas xícaras ou subindo com ela na montanha russa.

É por você que eu sofro e amo. Porque a minha relação com você agora é perfeita. Mesmo quando a gente se estranha, já que somos pessoas muito parecidas, com o mesmo gênio e a mesma maneira de pensar. A gente consegue olhar de frente um pro outro e ver todo o amor e todo o respeito que sentimos. Você é o meu modelo mais-que-perfeito. O Antônio Fagundes da minha vida. Alguém que eu reconheço chegando até pelo som dos passos ou pelos dedinhos dos pés embaixo do portão. Alguém que eu adoro fazer as refeições juntos, porque passamos a maior parte do tempo, no almoço ou/e no jantar, roubando a comida um do prato do outro.

Uma ligação diferente da que eu tinha com a mulher da minha vida. Afinal de contas, você é o homem da minha vida.

Ah, pai, se, às vezes, eu penso em ir embora daqui e morar no sul, é também porque eu quero ter a oportunidade de viver com você o que eu não tive com a minha mãe. De estar perto o máximo de tempo. De dia após dia vê-lo envelhecer.


Soundtrack: Lose You - Pete Yorn

I don’t need a better thing,
I’d settle for less,
It’s another thing for me,
I just have to wander through this world
Alone.

paipegandomeusorvete

. another way to die - jack white and alicia keys
. undercover - pete yorn

full albums:
. dear and the headlights - drunk like bible times - 2008
. david cook - david cook - 2008
. editors - an end has a start - 2007
. editors - the back room - 2005
. garden state soundtrack - 2004
. maybeshewill - not for want of trying - 2008
. odd humans - stranger seems the purpose - 2008
. slaraffenland - private cinema - 2008
. snow patrol - a hundred million suns - 2008
. she & him - volume one - 2008
. explosion in the sky - all of the sudden i miss everyone - 2007
. fine fascination - red light company - 2009
. u2 - no line on the horizon - 2009
. starsailor - all the plans - 2009
. the weepies - hideway - 2008

Todas às vezes que ele vai embora, ele leva um pedaço doce de mim.
O que fica aqui é resto. Aos poucos se reconstitui e se torna outras formas.
O que fica aqui é também desejo de deixá-lo, e ir embora para outros lados.
Quem sabe encontrá-lo no meio? Ou quem sabe viver mais perto dele?
O que importa mesmo é o sentimento, a ligação que não tem fim.
Ele está dentro de mim.

I miss you so, mom.

Se eu pudesse, com certeza, eu voltaria para os seus braços sempre abertos.

Depois de entrar no blog de Beto, e ficar sabendo o que recentemente aconteceu na sua vida, as lembranças da minha mãe foram avassaladoras em minha mente.

Eu acredito que o tempo pode ajudar, em alguns aspectos, a superar a perda. Mas quando ele passa em demasiado… e tudo tudo o que viveu com aquela pessoa amada não passam de lembranças no coração, o desespero, se não for logo controlado, absorve, sem dúvida.

Faz um ano que eu andava na corda bamba. Entre a vida e a morte. Não tenha dúvidas que o melhor de mim foi embora. Está perdido em sonhos-nuvens-algodão que esporadicamente acontecem durante a semana. Está perdido no olhar, na doçura e na saudade da pessoa que será eternamente a mais importante da minha vida.

Escuto a música Everybody’s Gotta Learn Sometimes ao escrever. Lembro de ter assistido ao filme Eternal Sunshine of The Spotless Mind umas dez vezes quando estreou, e os significados dele permanecem ainda tão dolorosos quanto antes. Lembro de estar no carro de Kruel, durante a madrugada, com lágrimas nos olhos, dizendo que algumas pessoas precisam testar o limite de si mesmas para poderem realmente aprender. E o quanto é fácil tomar decisões precipitadas na hora da dor. A psicanálise me ajudou bastante nessa época, e as conversas com dra. Cristina martelavam ao som de Beck. Principalmente nos momentos em que aceitei o que na minha cabeça era absurdo. Aceitava, mas não entendia. Tentava dormir com isso. Tentava seguir adiante…

Alguns dizem que a dor ameniza, para algumas coisas pode até ser, mas a minha… a minha fica armazenada aqui dentro. Pulsando. Como se tivesse vida própria. Têm dias ela sai pra fora de vez, e eu me desespero como nunca, tenho a sensação incrível de que posso subir pelas paredes ajudando-a a explodir. E a acabar de vez comigo.

p.s. - Hoje é um dia em que nada feliz que me disser, eu poderei retribuir com um sorriso.

O menino do Piauí esteve aqui com a sua graça, doçura e pés de vento. Trouxe a Salvador um brilho intenso, um colorido diferente ao final de semana. O Farol da Barra, mesmo não estando tão iluminado no sábado, parecia o ponto mais interessante da cidade. No ar havia um cheiro insistente de caranguejo e siri que nem água e sabão tiraram. O som das risadas alcançava toda a orla, não de ponta a ponta, mas apenas nos lugares em que os aventureiros da madrugada passavam.

Adorei a surpresa, Vento.
Estou com saudades.

Eu queria aprender a falar delicadezas que não fossem tão tristes, nem fizessem a gente se sentir pequena e escura por dentro e com medo de tirar as meias e pisar no chão frio. Eu acordei com saudade. Saudade é bom pra acordar com a gente. A gente levanta e deixa a saudade dormindo quietinha na cama, com medo dela assustar com o barulho do vento entrando pela janela - para colocar as mãos pra fora e sentir se frio, se calor, se azul - com o barulho da roupa sendo vestida e do perfume voando no ar até o colo. A saudade enrolada na colcha de retalhos dos sonhos, os vários sonhos que eu tive com a minha mãe, nós duas conversando enquanto ela fazia correr a agulha nos panos, nos vestidos com desenhos de flores, com estampas das mais variadas. Tinham até uns tecidos com arco-íris e com girassóis, uma camisola de bolinhas em flanela e outra com corujinhas de olhos grandes, sorrindo. Dava medo de acordar a saudade dormida com o barulho da lembrança da máquina de costurar. Eu queria aprender a falar delicadezas que fossem silenciosas e tristes como se fosse uma agulha guiando os fios de sedas azuis e amarelos e de outras cores também, a agulha, o dedal. O ponto de cruz das flores no sereno. O sereno.

Era uma garota que, como eu, amava os Beatles, os Rolling Stones e as msicas francesas.
Foi essa garota que me fez perceber a doçura e a alegria do mundo. Deu-me o carinho e o amor necessário para que eu pudesse distribuí-lo para quem eu conhecesse. Acolheu-me em seus braços quando eu estava doente ou precisando apenas me sentir protegida. E como eu estava protegida! Fez-me aprender sorrir, mesmo nos momentos de tristeza e desespero. Cuidou tanto de mim, minha nossa! Foi mais que uma mãe. Foi uma irmã, uma amiga. Tanto zelo, tanta confiança e tantas conversas. Queria poder ligar o som alto no meu quarto e chamá-la pra dançar comigo novamente. Ensinou-me a fazer o bem sempre, não dizer mentiras e acreditar nas pessoas. Fez-me gostar de verduras, doces e, principalmente, de comida baiana. Fez eu acreditar que Deus existe, mesmo que Ele a tenha levado tão cedo do meu lado. E também que é possível senti-la presente, mesmo há dois meses separadas, mesmo não ouvindo mais a sua voz me acordando de manhã ou a sua presença na cozinha me esperando quando eu chegava tarde da noite.


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Por mais que as pessoas me digam que o tempo conforta, mãe. Nesse caso, eu não sinto isso. A saudade fica cada vez mais insuportável, e as lágrimas descem sempre sempre sempre. Todos os dias eu continuo sonhando com você e se eu pudesse fazer qualquer coisa nesse mundo para tê-la de volta, acredite, eu faria. O nosso cordão umbilical jamais será cortado. Nunca.

[ Recado Direcionado ]
Estou indo viajar, e só retorno no dia 03 do ano que vem. Como todos devem ter notado, não escrevi mensagens de natal e de ano novo, não estou no clima, e eu nem preciso dizer o por quê. Gostaria de agradecer muito muito mesmo aos meus amigos, por terem me aturado, me dando tanto apoio, carinho e abraços. Um beijo especial a Lidiane, Paulo Kruel Schaun, Sérgio e Andréa. Vocês sabem que já deixaram há muito tempo a categoria de amigos para a de irmãos de coração.
De modo geral, para todos que acompanham pessoalmente e virtualmente a minha vida, segue os meus votos nesta singela mensagem. Beijos, e até o ano que vem.

Hoje, pela segunda vez, eu consegui conversar com você. Está sendo muito difícil tentar algum diálogo depois da sua partida. A dor é muito forte dentro do peito e a saudade é imensurável. Engraçado, ninguém tem noção do quanto temos uma da outra. Não era apenas uma questão de aparência física. Temos gênios fortes e muita teimosia. Somos mais que mãe e filha, somos irmãs-amigas-confidentes. Você era o chão e a âncora que só me causavam bem. Se aqui estivesse provavelmente eu estaria pertinho de ti. Choraríamos juntas essa separação, todos os momentos angustiantes que vivemos, e você me diria que também me ama acima de qualquer coisa. Que o nosso amor é incondicional e a nossa ligação é eterna.
Sinto tanta falta de não poder ver os seus olhinhos brilharem ao me ver, ou como eles demonstravam felicidade ao ver a família reunida. Quando acendo uma vela e rezo, eu imagino o quanto de luz existe no seu caminho. Porque se existiu alguém bondosa e perfeita na Terra, esse alguém foi você. Você é um anjo mãe, com seus doces olhos castanhos cor-de-mel e os seus cabelos encaracolados.
Você tinha a mania de acolher a todos nos seus braços-mundo. E eu sentia ciúmes no início (coisa de filho único, eu acho), queria sempre a sua atenção, o seu sorriso, o seu olhar voltados para mim. Era impressionante como não conseguíamos ficar muito tempo chateadas uma com a outra. Logo arranjávamos uma desculpa para nos vermos, nos falarmos ou nos sentirmos.
Não tive coragem ainda de mexer nas suas coisas, nem de pegar nos seus cd’s. A casa toda possui um toque seu, uma lembrança sua, um momento seu comigo. Na rua, todos os lugares me dão pelo menos um motivo para me lembrar infinitas vezes de você. Se eu me conformo com o lugar, tem uma música tocando, e eu sei de todas as quais você gosta e o quão musical você é.
Á mamãe, você se foi muito cedo. Sem a chance de aplaudir pelos meus sonhos concretizados (os quais nós conversávamos tanto). Sem a chance de vivenciar os seus netos, netas, bisnetos. Sem o prazer de acompanhar seus passos, de curtir no dia a dia as companhias, e tudo que você mais desejava. E eles perderam a chance de conhecê-la melhor. De participar diariamente com sua vivência de exemplo. Seus conselhos importantes de máxima serventia, cercados da sabedoria de seus ditos preciosos. Provérbios falados no tempo usados pela vovó e pela bisa.
Você partiu deixando uma lacuna aberta. Espero que sempre escute as minhas declarações de amor eterno. Obrigada por todos os momentos que passamos juntas. O que me consola nesse momento é saber que o seu sofrimento acabou rápido e que um dia eu voltarei a lhe encontrar.
O meu pai pode ser o homem da minha vida. Mas você era a razão do meu viver. Você era o meu mundo. E, agora, eu me encontro aqui, perdida, sem saber que caminho eu devo seguir…

A BARCA
Pe. Zezinho
Ouvir canção

Tu te abeiraste da praia
Não buscaste nem sábios, nem ricos,
Somente queres que eu te siga

Refrão: Senhor, tu me olhastes nos olhos
A sorrir pronunciastes meu nome
Lá na praia eu larguei o meu barco
Junto a ti, buscarei outro mar.

Tu sabes bem que em meu barco
Eu não tenho nem espada, nem ouro
Somente redes e o meu trabalho

Refrão
Tu minhas mãos solicitas
Meu cansaço que a outros descanse
Amor que almejas seguir amando

Refrão
Tu pescador de outros lagos
Ânsia eterna de almas que esperam
Bondoso amigo que assim me chamas

Minha mãe partiu no dia 23.10.2004, levando consigo o meu coração. A Barca era uma das músicas que ela mais gostava de ouvir e cantar. Que o Senhor a tenha recebido com muito carinho e muita luz. Que ela esteja em paz.

A saudade entra no momento em que você desliga o telefone. Aproveita meu descuido ao pegar as correspondências em cima da mesa e invade o quarto. As gavetas, a pele e a memória. Assim, sem pedir, sem avisar. E me acompanha pela casa, pela cozinha, pela varanda, pelo banheiro. Queima a pele enquanto sinto a água escorrendo quente pelo corpo embaixo do chuveiro. Agarra o pescoço no momento em que me seco. Beija o peito no momento em que me visto. E quando me olho no espelho, lá está ela. A saudade que chega tão rápido, e que consome segundo a segundo nesta ausência, neste vazio que parece não ter fim até você colocar um fim. Porque você é as letras, as palavras, as frases, os parágrafos, os diálogos de meus textos. o ponto de exclamação que me faz querer mais, e é a vírgula para que eu possa recuperar a respiração cada vez que lhe vejo. Sem você, agora, existem apenas páginas em branco. Sem você o meu dicionário possui um nico verbete. Por isso, venha logo. Preciso ligar ou atender ao telefone. Preciso marcar um encontro. Entregar uma flor. Abrir a porta para você entrar. E deixar que a saudade fique lá fora, ouvindo a msica de nossa paixão. Não, não é mais aquela em italiano.

[ Recado Direcionado ]
Kruel, não estou conseguindo lhe responder via MSN. Nem Freud explica esse mistério. Ah, e a resposta é: CLARO QUE EU VOU. Eu tambémmmmmm não sou nada sem você… Que eu tambémmmm não sou nadaaaaaaa. Risos.

Enquanto o corpo só pede cama, a mente não pára. Exige um esforço tremendo para que eu não perca o entusiasmo e toque adiante os vários projetos dentro dela. O final de semana foi extremamente importante. Ganhei forças e amor de uma pessoa especial e tão, ou mais, louca do que eu.
Um sol que se desloca do céu de uma cidade no interior do Piauí, e nasce à noite na capital da alegria. Se mistura entre as estrelas do céu da minha boca, e transborda todo o seu calor para o meu corpo.
Poderia ficar sentada ouvindo o barulho do mar durante horas ao lado dele. Inconformada, pois o tempo passa depressa demais quando há felicidade. Mesmo a distncia pairando entre nós como um fantasma, o que nos separa é apenas físico. Eu espero. Eu creio. Eu estou com saudades. Eu também te adoro.
Enquanto você não volta a nascer perto de mim, o calor e o brilho pernacem comigo do lado esquerdo do peito.

No meu canto adormecido nasce a saudade de mim. Um canto cheio de sorrisos e brigadeiro, vontades e magia. Enquanto esse pedaço adormece, o resto permanece num eterno estado de alerta inconsciente. Vivo com a consciência alterada. Já não é só a meu pensamento que a distncia maltrata, e a minha estrada, meu pisar sentido. Sinto falta dos meus dias de sonhos e daqueles de pedra. Faço somente a prece do dia como se queria; esperança. Cansei de esperar por uma luz no fim das horas. De olhar para o relógio e me preocupar se ainda alcanço os ponteiros. Subo devagar a escada dos problemas. A resolução aparece enquanto passo leve por eles. Mesmo acabada. Perdida nos meus devaneios, eu nasço e renasço quando medito e afasto de mim o que se espera… E o que eu espero? Você. Quero ouvir tua voz em meu grito. E tua face à do meu coração. Intacta em mim sem tempo. Não traço a incerteza, o medo, o limite do meu ser invisível no mistério do ar, na formação e transformação de toda beleza inacabada do meu sentimento.

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