Dor de Cotovelo


acaba logo janeiro.
acaba de uma vez esse verão. esse calor.
já não aguento mais essa sensação.
presente em todos os meus dias.
tento me manter sã,
mas até um simples toque me desespera.
ter de admirar o horizonte
com o olhar perdido em terras distantes.
ter de viver todos aqueles rituais novamente
sem poder sonhar que o carrego na minha mochila
e na minha mente.

estou cansada de navegar
por um único e solitário mar
com nomes diversos.

do you remember that lyric? that song? it’s a piece of me:
“Got up early, found something’s missing
my only name.
No one else sees but I got stuck,
and soon forever came.
Stopped pushing on for just a second,
then nothing’s changed.
Who am I this time, where’s my name
I guess it crept away.

No one’s calling for me at the door.
And unpredictable won’t bother anymore.
And silently gets harder to ignore.
Look straight ahead, there’s nothing left to see.
What’s done is done, this life has got it’s hold on me.
Just let it go, what now can never be.

I forgot that I might see,
So many beautful things.
I forgot that I might need,
to find out what life could bring.

Take this happy ending away, it’s all the same.
God won’t waste this simplicity on possibility.
Get me up, wake me up, dreams are filling
this trace of blame.
Frozen still I thought I could stop,
now who’s gonna wait.

No one’s calling for me at the door.
and unpredictable won’t bother anymore.
and silently gets harder to ignore.
look straight ahead, there’s nothing left to see.
what’s done is done, this life has got it’s hold on me.
just let it go, what now can never be.

Now what do I do
can I change my mind
did I think things through

It was once my life - it was my life at one time.”

Andain - Beautiful Things (DJ Tiesto Remix)

anestesiada. em alguma parte do chão. do quarto. da alma. por momentos eu escrevo. meu nome. palavras. desconexas. então sentimentos estranhos escrevem. desafiam. entorpecem. o cérebro. o chão. as palavras. o copo de vodka. mais a coca-cola. mais o gelo. mais o sorriso que eu quis lhe dar e guardei pra mim. desse jeito. i want you. all the time. is that so complicated to you understand? but i’m completely tired to explain. all the time. i explained. now i’m bored. i know. when I drink so much, i forget who i am, i just write and suffer. don’t stop. sometimes. in portuguese. sometimes. in english. when i’m thinking of you. não sinto o corpo. todo. ou tenho a sensação que não sinto. só o chão. só essa dor. o chão segura. o corpo e a dor em mim. dor de um pedaço faltando. arrancado a força. partiu de avião. com destino. e o destino eu conheço. o destino e essa dor. familiar. por que eu não consigo controlar? a dor? os pensamentos? o amor? por que existem dois eu’s? um racional. concreto. outro complicado. abstrato. sabe que você me ama. vocês me amam. mas tem as suas vidas. distantes. e eu preciso seguir daqui sozinha. e eu estou em suas mentes. mentes perdidas no espaço. com diamantes e fireflies. mentes perdidas em corpos que se desidratam com cremes de beleza. mentes perdidas que fazem qualquer escolha apenas para esquecer. para não sofrer pelo que não podem ter. mentes que se conectam porque sempre pensam uma na outra. eu quero sempre te ver sorrindo das minhas palavras. sempre me amando. nem que seja num dia estipulado da semana. eu quero você. e você me terá também. assim. perdida. no chão. do quarto. das lembranças. esperando. escorrendo. palavras. amando alguém que não me basta. amando alguém que me basta. o meu próprio eu. mas que eu? se somos duas? a racional pede. pro mundo se explodir. mais um copo de vodka pura. mais frio. menos você. ela se basta. ela pinta. unhas e boca de vermelho. o amor de vermelho. e lhe diz que a sua vida não lhe interessa. é escorregadia. fria. em cima de uma torre. bem alta. se mantém calma. admirando o horizonte. possui asas, mas não sabe voar. uma parte dela foi levada para o sul do país. sem dó. nem piedade. esquecida no açude com peixes devorando-a. ela quis esse destino. de ser devorada no açude. enquanto a outra desmancha-se no piso gelado. no quarto onde mora. onde habitam as memórias. se eu colocar o lençol sobre o meu corpo e rosto, você me esquece? você me enterra em alguma parte da sua mente e passado, enquanto pensa que pode ser bem feliz longe de mim. então num belo dia, você tira a poeira. o lençol. e lá estou eu. intacta. quente. com um olhar doce. à espera de abraços. consigo ver a fome em seus olhos. o quanto me quer. o quanto esse fogo pode derreter a mim. o chão. o chumbo. em volta das minhas reservas e acordos de bem estar. do meu coração. e depois, a realidade vem e congela tudo novamente. o chão retorna ao frio. congela o sangue. com vodka. apenas três copos. bebedeira solitária. sem escândalos. com choro, lembranças, lagriminhas e sono. há 4 dias que não durmo. e há tantos eu’s a minha volta. mas só sinto falta de 1. o que meu pai levou na bagagem. continuo com frases desconexas. as unhas vermelhas atrapalham meu olhar. imagino-as pelas suas costas. a minha boca no seu juízo. e por algum motivo desconhecido, quero lamber o seu umbigo. até você perceber que só será REALMENTE feliz comigo. se me despeço assim, é porque o efeito da bebida e do sono toma conta do meu corpo agora. depois de páginas. rabiscadas. palavras. expelidas. o que posso admitir é que meus eu’s, algum dia, irão se render. se encontrar. talvez em sonhos. talvez em outras estrelas. talvez em outras vidas. ou, simplesmente, quando eu conseguir ver o reflexo deles, todos juntos, no seu olhar.

Você pode me pirraçar com o seu pretensioso descaso, inventar problemas mentais e esconder suas frustrações debaixo do vaso de violetas na minha janela. Você pode desejar que eu esteja em todos os piores engarrafamentos e com todos os tipos de vendedores em ônibus lotados. Você pode dizer pra mim todas as frases de livros de auto-ajuda ou todas aquelas histórias picantes estilo romance Júlia e Sabrina. Você pode querer regar as plantas de plástico do meu quarto, e enxugar os meus cabelos e o meu corpo em toalhas brancas. Você pode ligar para os programas televisivos, pelas tardes da semana ou mesmo aqueles de auditório aos domingos, todos que pedem interatividade. Você pode correr quilômetros pela orla da cidade e pensar em diversas maneiras de me acompanhar e me ver sorrir. Você pode desligar todas as luzes, fechar a janela e se esconder debaixo do meu edredom verde limão. Você pode amar os seus pais. Você pode querer não me encontrar. Você pode me pedir para parar de ouvir música. Você pode me pedir para parar de falar com você. Você pode me pedir para parar de escrever.

Eu simplesmente posso desligar a minha cabeça de tudo referente a você. Se eu fizer com empenho, eu consigo. Quanto à violeta, quase que você a mata com todos os seus problemas, mas ela é forte, assim como eu, e está lutando para sobreviver. Nos piores engarrafamentos eu posso acomodar minha raiva e colocar meus fones de ouvido, assim evito que os vendedores gritando tracem riscos nos meus pensamentos. Eu posso queimar todos os livros de auto-ajuda como fez Hitler em seus arquivos quando Berlin já não tinha esperança e eu posso fingir que me excito com o modo lúdico dos livros Júlia e Sabrina descreve uma cena de sexo selvagem. Desculpe, eu não tenho plantas de plástico. Detesto toalhas brancas, já basta de branco à cor dos meus seios. Não acho graça nesse tipo de interatividade televisiva, mas aproveite bem os prêmios e os seus domingos familiares em frente à TV. Eu não corro pela orla porque adoro correr e/ou porque amo ver o mar. Pura necessidade. E não perco meus melhores dias pensando em como não ser o que não quero ser. E nesses momentos gosto de estar acompanhada apenas pela música. Eu absorvo a fumaça vinda dos carros porque não tenho coragem de abraçar os vícios que me deixariam mais perto do céu. Não quero mais ninguém desperto no meu quarto, a não ser o meu abajur de magma. Eu posso amar seus pais, mas serei boa apenas ao meu. Para não me encontrar, não precisa inventar desculpas. Sou especialista em me tornar invisível e desaparecer. Quanto à música, é impossível deixá-la, é como o ar que respiro. Se parar… morro. Posso não mais escrever e sempre que eu tento, consigo. E em vez de parar de falar com você, eu posso pedir para que pare de me ouvir. Então pare. Aqui.

Soundtrack: End Of All Time– Stars Of Track And Field / In Bright Fire – Stars Of Track And Field (on repeat). MySpace of the band.

Entre a solidão de uma sala de três paredes brancas e uma azul, algumas almofadas. Uma música em loop infinito. Uma imagem em fundo branco com rococós pretos no meio. Uma folha de papel na mesa com palavras em português para serem traduzidas para inglês. A franja do cabelo cobrindo o rosto até a boca. A luz da impressora piscando. Mensagens na tela LCD em cor laranja. E o coração no peito quase parando com aquela saudade estranha.

Entre a solidão da areia, do mar, dos barcos e de pássaros à volta. Sensação falsa de paz com o desconforto de grãozinhos de areia por todo o corpo. Seres vivos de diversas formas me observando. O sol escondido atrás das nuvens por causa de uma senhorita de pele ofuscante. A vida ao redor continua, enquanto eu, ali parada, pensando em não fazer nada da vida.

Entre a solidão de um quarto de paredes azuis (?). Um copo cheio de água do lado do laptop. O ventilador parado. A chuva torrencial pela fresta da janela. A mesma música em loop infinito. Ela me conecta a você. A visão do mesmo abismo. Aumento o volume do headphone e do grito interno. Encho baldes com dor e lágrimas. Danço e sangro girando com a saia vermelha. Eu ainda sinto saudades dos dias cheios de você. Mas que você? Eu não me lembro. E se lembro, procuro esquecer. O copo cheio de água entorna. Eu me desconecto.


Soundtrack: Paper Bag - Dear and The Headlights (música em repeat)

I’m like a paper cup with a pin prick
You can fill me up but I’ll only stay full for a while
And wisdom’s only shown me that my loneliness is all my fault
And it’s all my fault

And I don’t know
What I have done wrong

You say you understand me well I don’t get you at all
It seems everyone around me is so good at faking it that I don’t know
Just how to act
Around you

I’m like a paper bag but the bottoms wet
It must be something bleeding internally inside
I didn’t know the things that you never did could stay with you your whole life

And I don’t know
What I have done wrong

You say you understand me well I don’t get you at all
It seems everyone around me is so good at faking it that I don’t know
Just how to act
Around you
And how to act
About you

I’ve got a memory but I can’t hear what you’re saying
You’re looking straight at me but I’m looking the other way

Felizes são aqueles que não podem sentir mais, que perderam o desejo, que suprimem os pensamentos e se concentram no trabalho para esquecer, para isolar o sofrimento. Pois a dor de sentir e não poder ter é sufocante. O mais simples e, ao mesmo tempo, mais refinado dos sentimentos pode por tudo a perder - ou a ganhar - em instantes. O pulso acelera, as idéias e fantasias acumulam-se formando uma avalanche perversa que te guia obstinado para o abate da presa, que na maioria das vezes é você mesmo.

Cria-se um ambiente de possibilidades que mascaram ou escondem as adversidades e impedimentos, convergindo para a sustentação de uma única alternativa, invariavelmente e inexoravelmente perfeita, até segundos, minutos, horas ou dias depois. Sempre dará certo, mas nunca saberemos. As regras morais que sustentam as bases de nossa existência sucumbem ao mais superficial dos anseios, em busca de uma saciedade momentânea, instantânea. E o mais ordinário dos homens torna-se um estranho, consumido pela obsessão, doentia, que o leva ao extremo, cego como um morcego faminto. Obsessão elaborada por segundos, horas, meses, anos, séculos a fio, devoradora de entranhas, maquinando sem parar, silenciosa por fora, mas queimando as vísceras a cada instante.

O mundo cai como um tijolo no meio do cérebro, a faca retorce dentro do peito, o pescoço é esmagado pela sensação de desespero, e aos céus, agora tão próximos, são voltados nossos olhos e o que restou da alma em busca da salvação. A missão cumprida, o plano perfeito, o alvo atingido, e o reflexo é a vida estilhaçada em milhares de cacos insignificantes, incoláveis. Não há para onde fugir, não há como voltar, não há mais nada, nada. Só o vazio, preenchido com uma sensação de aperto, esmagando o coração e o espírito.

Mas o armário guarda a chave do paraíso perdido, as pílulas da redenção, a luz negra no fim do túnel, o término do muro das lamentações. Quantas? Uma, duas, trinta, tudo. E o tempo não passa. Parece lentificar, para punir com desdém, talvez crueldade, os fracos, que julgaram ser deuses, intocáveis, donos da verdade. A escuridão que se aproxima afasta momentaneamente o sofrimento, entorpece as idéias, alivia a dor. E tudo mais vai acalmando, devagar, a passos lentos, ora largos.

O fogo vai apagando, a luz da alma torna-se fraca, trêmula, esguia. A sombra da escuridão abraça o resto da vida estilhaçada, que fora perfeita num instante, agora reduzida ao lamento da chama que se apaga. O sono abençoado, eterno, chega em um barco imenso, repousando sobre um oceano agora calmo, conduzido por uma vela serena, constante, segura. E o apocalipse do plano infalível toma conta da imensidão, transformada em precipício, sem fim, sem começo. Vazio, humano. Pelo menos até o próximo desejo.

imaginationComo cada um de nós sobrevive à guerra? Bem, no início eu comecei a combatê-la comprando vários travesseiros pra cama, jogando videogame com um irmão emprestado e saindo todos os dias com amigas (pena que cada uma delas está agora em um canto do planeta, saudades das duas). Claro que existem milhões de teorias, e, provavelmente, você conhece no mínimo umas quatro, mas deixa eu te contar um leve segredo, se é que você não o sabe: elas só funcionam quando você realmente quer e as coloca em prática.

Para sobreviver à guerra, eu descobri as certezas e os não-quereres, descobri que tudo isso está dentro de mim, bastava só procurar com jeitinho. Enquanto as incertezas, essas são tuas, pois vejo nos seus olhos que não sabe como agir e o que fazer comigo. Algumas dessas incertezas também me acompanharam, fez o tempo pesar, ser imenso, sufocável, passar lento demais. E então as certezas vinham para me alertar que meus sonhos são meus, e que quando não restar mais nada, eu ainda os terei, mesmo que você não os queira mais.

Para sobreviver, eu descobri que posso enfrentar os monstros, sozinha ou não, já que sou eu mesmo que os crio. Não posso mandá-los embora quando eu bem entender, mas fico sentadinha esperando um herói (que eu não crio) vir me resgatar. E enquanto esse alguém com mega-poderes não aparece, eu posso conviver com eles (monstros variados de todos os tamanhos), e essa será uma lição de paciência. Dói, mas não mata. Faz sofrer. Embriaga de ansiedade. Faz o dia completo. Com os lugares e coisas em preto e branco, e uma porta amarela. É. Amarelo desespero. Em passos largos eu tentaria chegar a essa porta, e ela iria se distanciando… Nesses lugares sem cor, não há você, não há felicidade. E como eu não conseguia alcançar a porta, eu descobri que a tristeza sim, essa tem cor. E entendi mais, ela é um não-lugar, onde não há como se segurar, mas que também não deixa cair.

Sobreviver à guerra de uma forma em que minhas fraquezas me fazem forte. E entender que muito da minha força vem de você, mesmo sem você desconfiar disso. Isso não é ruim, eu não preciso esconder, nem me desculpar, nem disfarçar, nem fingir. Não existem regras para os sentimentos, para o amor, para a vida. E que eu posso sentir como eu quiser, e demonstrar como eu quiser, e contar como eu quiser. Mas que também o meu silêncio vale ouro e é minha proteção. E o que eu não digo faz doer menos o que eu não ouço. Mas os sentimentos transbordam em lágrimas, sufocam em palavras não ditas, embolam na ânsia de chegar até onde não podem. Então eu amo e sofro, rio e choro, acredito e me desespero e espero, espero, espero… E o tempo passa. Devagar. Rápido. Esmagando. Prometendo um futuro que eu não sei qual é. Ou prometendo nada.

E nada não tem medida, como não o têm os sentimentos. Vou continuar a lutar contra a guerra dia após dia, tentando modificar, amadurecer, correr na esteira, escutar as várias músicas que pertencem a uma parte de mim que é sua. E vai ser sempre. Porque eu descobri que mesmo que você não queira, eu não a darei a ninguém. Porque esse outro alguém terá outro pedaço de mim; esse não me pertence mais e não posso pedi-lo de volta. Se venci boa parte das batalhas até aqui foi porque você está vivo dentro de mim. E quando você for embora de vez, terei que aprender a recomeçar. E que a guerra vai ser mais difícil, mais dura, mais longa. Os tiros serão mais direcionados, mas eu conseguirei desviar.


Soundtrack: How You Survived The War - The Weepies

O tempo está passando, e eu, simplesmente, cansei de brincar com as ilusões e sonhos dentro da minha cabeça. Entenda, a culpa não é sua, não é minha. A culpa mora com o tempo perdido e é vizinha do passado. Só no presente, ela se desprende de tudo e lhe leva para caminhar do lado de fora.
Cansei de passar 24 horas conectada em um mundo paralelo e não palpável. Você tinha toda a razão. Não posso mais esperar deitada na cama pela sua chegada, para dormir comigo. Já acostumei a deitar e acordar sozinha de novo.
Cansei de abraçar os meus vários travesseiros.
Cansei de mandar mensagens através de garrafas ao mar, e não obter uma resposta sequer no bico de um pássaro.
Cansei de te esperar debruçada na varanda admirando a lua e a chuva.
Cansei de beber vodka com coca-zero, e lembrar que eu derramei um copo cheio no meu vestido por causa de tantos risos e brincadeiras.
Cansei de escutar os problemas e os traumas do seu relacionamento mal-resolvido. Volte de uma vez se, realmente, ainda a ama ou procure outra que esteja disposta a lutar contra fantasmas e/ou psicopatas.
Cansei de procurar, copiar, receber, traduzir, enviar músicas que compunham uma história de amor que existia no meu coração.
Cansei de gravar um CD para lhe dar, com o seguinte título “How to Survive The War”, porque tem muito a ver com o nosso momento.
Cansei de não me irritar com a sua não-procura, com a sua falta de consideração.
Cansei de usar e abusar da minha imaginação através de textos, poesias, fotos no blog, no flickr, no twitter para fazer você me entender e conhecer o meu mundo.
Cansei de fotografar as estradas por onde caminho para você se sentir ao meu lado.
Cansei de lhe dar carinho e ser apenas sua amiga ou não-sei-o-quê. Vou passar a eternidade com desejo de beijar sua boca.
Cansei de ser paquerada na esquina, quando, na verdade, eu só queria ver a fome nos seus olhos.
Cansei de ser um vagalume, uma joaninha, uma aranha, uma mosca, uma música, uma fotografia.
Cansei de lhe dizer o quanto é amável e doce, e você pensar besteira.
Cansei de controlar meus sentimentos.
Cansei de correr e não sair do lugar. Não vou mais para lugar nenhum mesmo. Vou me concentrar no meu umbigo e no projeto verão.
Cansei de estar sempre em standby.
Cansei de não me reconhecer mais no espelho.
Cansei de ficar fingindo que não me importo. Tudo me importa.
Cansei de me apaixonar por alguém que não existe.
Cansei de espalhar tudo de você pelo vento.
Cansei de guardar tudo de você dentro de mim.
Cansei de ser boazinha, é hora de voltar a ser má.
Cansei de ficar, é hora de ir embora.
Cansei de estar sempre só, e é na linha horizontal da minha solidão, entre a imensidão do mar e da dor que eu encontro você.

mirror - mirror


Soundtrack: Never Gonna Be Alone - Nickelback

Ela era, sem ele, vazia. Oca. Possuía um abismo interno que cria teias. E sozinha ela seguia, não por falta de opção, porque ela sabia que no fundo, no fundo, ele existia. Em algum lugar. Em algum país. Debaixo do seu nariz. E só, ela não morreria.

E ele? Ele pensava… onde ela estaria. Se ele se adaptaria ao jeito e a cidade dela. Se ainda saberia escutar com carinho as msicas do headphone que ela colocaria. E se ela entenderia o que ele dizia e faria.

E assim, viviam as suas vidas. Nem sabiam que um existia para o outro.

E seguiam. Sós. Com seus lençóis.

Obs.: Post inspirado no poema do Garoto do Gorrinho, que me solicitou a retirada do link de referência ao site dele.

Para dormir eu nos repenso juntos, sozinhos num jardim em plena tarde recente enfeitiçada por duendes e fadas. Sonolentos e deitados sobre a grama, rodeados por flores e joaninhas. como se eu estivesse debruçada pela janela imaginária do quarto da nossa casa, nos observando. Eu pudesse olhar pra fora e lhe dissesse que o asfalto escaldante sob a janela substituía o infinito azul do mar cuja cintilar ilusionista adornava nossa fantasia. Tracei um vértice no cruzamento entre cada segredo que me foi revelado durante os suspiros fortuitos que te denunciam quando meus dedos resvalam secretamente descendo pela barriga, adentrando por tecidos, verificando sua excitação numa roda onde agracio um amigo oculto. Ainda aguardo suas respostas, de quando lancei as perguntas. Você soube me responder quando existiu a dvida, e quando o horror ao erro vestiu o vermelho da paixão no negror do próprio erro: e era o susto: verdadeiramente o erro. um jogo de perguntas e respostas, quem consegue calar o outro vence. Mas uma vitória que não define posições, você vem e me pega por trás como um animal prestíssimo e irrefreável, um varonil de presas não tão agudas, mas fortes e poderosas, sempre apalpando as carnes macias e as outras mais midas como a minha boca cheia da sua saliva. O seu apetite por mim totalmente inundado pela minha saliva e sede por você, nessas carnes que me fazem arder e que a todas vou lamber, propulsantes, não lançando à distncia, mas segundos depois me incitando a seu instinto de macho inconsolável, me oferecendo, impulsionando e implorando que eu toque aquela carne também, mais profunda, encaixo fundo meu sexo que possui o maior segredo do meu corpo na lança, e o nojo não somente se une à beleza, ele a apura e aperfeiçoa. Gozamos a festividade e a ambivalência. Coisas assim eu penso quando estou deitada inventando tramas que a você envolvam a mim só por mais uma vez.
Bem ali na minha frente eu ia sentindo o coração empalidecer diante do susto de me ver pela primeira vez capaz de ultrapassar os altos muros que continham insuspeitado aquele fraco amor antes pretensamente visto como nica vastidão possível, eu não sabia que o amor era uma experiência mortal e que semi-amor não existia, eu simplesmente não podia ter a menor idéia de que amar fosse virar o grande muro do avesso. Odeio ter que conter a histeria que você me provoca. Depois disso tudo, se você bem me entende, sugiro o silêncio, perco eu ou você? A complexidade verte rumores perigosos e inconfidentes, mesmo assim acredito e espero a sua resposta.

Estou encaminhando uma prece para que um dia todos os meus infortnios possam transformar-se em literatura. Pois se um dia isto acontecer, se um dia eu conseguir transpor com propriedade tudo o que me vêm ao espírito, será como um dia de guerra, de explosões, de colapso estelar, uma nova hecatombe espiritual, novos ódios, novíssimas dores, encantamento no horror do cruel experimento. Estarei postada ao lado de todos os meus maiores medos, enganos e promessas, fiando em uma roca mental toda a matéria-prima da qual minha alma está mais do que cheia. Sei que ainda poderá encher-se mais, até que este dia de iluminação e espanto chegue; sei que nada será suficiente para mim. Sei que desejarei muito mais do que isso, desafiando o cosmos, a dor, a náusea tremenda. Percebo que continuarei assistindo a coisas inacreditáveis ou absolutamente críveis, por mais odiosas que sejam e continuarei falando delas, com maior ou menor propriedade. Prosseguirei daqui até o fim descrevendo de maneira incompleta tudo o que viver, tudo o que foi feito de mim, todos os meus sentimentos, meus sentidos, tudo, tudo aquilo que me for possível apreender pelo contato, pela osmose ou pelo mergulho mais profundo em rios hostis. Minha matéria-prima enriquecida, lã de carneiro emaranhada, teia e seda, fezes e ouro puro: preciosidades que continuamente virão, sempre entrando, invadindo-me com muita força…

E as palavras sou inimiga delas quem sabe virão, ou talvez, como de costume, deixem-me esperando (eu sempre estou esperando), ou ainda pode ser que ousem enganar-me e expressem coisas que não são bem verdade ou nada além de mentiras sujas. Não confio mais nas palavras do que confio nas pessoas ao meu redor.

O dia em que eu alcançar este nível de expressão o dia da hecatombe, do colapso maior, do vôo estarei satisfeita. Não feliz, se o que entendo por felicidade seja a compreensão alheia. Estarei satisfeita comigo, com a minha boa roca de fiar. Mas até então, o que devo fazer? Acumular, encher uma caixa-forte, matar libélulas ou criar um diabo em uma garrafa? Tudo é inverossímil para mim hoje. Qualquer possibilidade está fora do meu alcance, longe, cadáver sem mãe…

Poderei eu amamentar serpentes?

O que me assusta nessa temporada é a minha capacidade de isolamento.
A humanidade me cansa.

Enquanto a chuva e a fumaça se desvanecem… Elas vão deixando apenas a certeza de que está tudo acabado entre nós. Consigo perceber o tímido luar adentrando pelas frestas da janela, lembrando-me tudo o que deixamos para trás. Só o que restou em meu peito foi adeus.
Vou caminhando para casa e pensando “Como nós podemos deixar acontecer um final desses?”. Um final em que cada um segue o seu caminho. O seu destino. A sua escolha. A sua vida. Cada um bem distante do outro. Nós deveríamos ter finalizado o nosso ltimo momento com um beijo demorado. Só que é tarde demais. Não há mais nada a ser feito. Você já não pertence mais ao meu futuro e eu não acredito mais em nenhuma palavra que sai da sua boca.
tarde demais… como querer assaltar o amor com uma arma.
Nessa noite do silêncio, nós apagamos nossa luz de velas. Nossos sonhos e desejos inesperados. Nossos domingos no quarto. Nossos beijos de telenovela. Todos os passeios e planos inspirados na nossa vida de casal. Noite do silêncio. Noite em que o nosso amor morreu.
Não há mais palavras a serem ditas. Estou cansada demais para lutar… você nunca passou de uma doce ilusão.

Eu só queria que me abraçasse forte, segurasse a minha cabeça em seu peito e não me deixasse partir, me fizesse acreditar que nada do que eu vivi com você foi uma mentira.

Era tudo incrivelmente simples quando você estava para ser o rei dos meus sentimentos e eu a tua rainha. Onde foi parar todas as promessas que fizemos? Todas as nossas qualidades e todos os nossos defeitos? Eu ainda sou a mesma menina sentada na janela dentro do Maria Fumaça, percebendo que o trem corta o céu em plena tempestade.
Agora, deixe-me partir… Está é a parte mais difícil da luta travada dentro de mim. Não carrego mais as mágoas. Fui apenas mais uma vítima dos sonhos e da noite. Só que é tarde demais, não há como salvar esse amor que está morto. Não há mais palavras a serem ditas. Estou cansada demais para lutar.

Então me abrace bem forte e não me deixe partir…

Depois que a chuva e a fumaça se desvaneceram… Quando tudo está acabado entre eu e você. Quando o sol apareceu, nada havia sido deixado… apenas adeus.

Havia palavras por trás do silêncio, havia olhares acompanhando as palavras, havia mãos que não eram suas e tiravam minha roupa enquanto você chorava. Havia discussões, reconciliações, declarações, torturas, havia madrugadas em claro, textos que eu escrevia e não deixava você ler, beijos que me deliciavam e eu não deixava você perceber, havia o meu passado que me alertava contra o que eu senti por você no instante em que te olhei pela primeira vez. E hoje, você é o meu passado.

Não, não é como uma valsa. Nem tango. Nem jazz, nem blues. Nem msica eletrônica. Nem rock triste. como a tempestade que cai lá fora. como todas as noites em claro, todas as discussões sem limites, todas as suas vontades impostas sutilmente. como todos os longos beijos, todas as canções em comum, todos os sabores do seu sorriso e todos aqueles risos que apenas eu tinha o poder de arrancar de você. como aquela sua obsessão de repetir sempre as mesmas palavras e pessoas do passado; quando estava triste, repetia o lenga-lenga de que era bom fazer flashbacks. E quando estava feliz, esquecia do mundo e curtia os momentos; quando estava nervoso, parecia murchar; quando gozava soltava um rápido suspiro e se fechava como uma ostra presa nas rochas. Esse suspiro sempre me surpreendia, eu pensava sempre: “ainda não suspirou por quê, se já está…”. Quando finalmente você o libertava eu era quem sentia prazer.

Você foi o primeiro a quem eu me entreguei de corpo e alma. E espero que não seja o ltimo. Que Deus me ajude se algum dia eu sentir isso de novo, porque minhas reservas foram quebradas por você. Descobri que não tenho mais medo (e isso me assusta).

O mar não fala mais comigo, o guarda-roupas nunca falou comigo, meu pai não tem falado comigo, meu papagaio está dormindo, as margaridas não cheiram mais como antes e as paredes não dizem nada e me olham. O lugar passa. Eu passo pelo corredor, entro no banheiro, a torneira faz seu monólogo, mas não é uma conversa. A vela não está dialogando com o som, nem o som se dirige a mim e espera minha opinião, vai indo de uma msica à outra sem se importar se estou gostando. Ou não. Não espera que eu peça uma msica, simplesmente toca. Eu não espero mais que esperem minha voz, eu falo e me escondo, e me escondo e falo mais baixo.

Lá embaixo havia um diálogo. Minhas pernas tentam conversar, mas suas mãos ficam longe de escutar - precisaria se aproximar, e me ouvir, ouvi-las, é o que você quer? o que eu quero? Eu quero dialogar. Não precisa ser assim, claro. Não há outro jeito, eu tento conversar com meu umbigo, não há saída. Minhas
saídas seriam ler e ler e ler, assistir um filme, mergulhar em outra realidade que não fosse a minha, dessa minha estou cansada. Mesmo. Cansada mesmo dessa minha não-realidade presente. Minha realidade é querer outras realidades, talvez presentes - em quem? Onde? Onde está minha mãe? Ali deitada, em outro quarto. Onde fica meu pai? Ali no telefone, em outro estado. Eu estou alterada, estado alterado de carência extrema. Saco.

Sem pai nem mãe nem imaginação, imaginação poderia me salvar - salvar de quem? Dessa maldita insônia. Estou morrendo por falta. De sono. Essa falta de troca, de imaginação, troca de imaginações. Escambo de realidades. Venda de colo, quanto meus ouvidos devem pagar por um colo? Troca de olhares, vejo você de outra forma, veja a si mesmo dessa forma - mexendo no meu cabelo enquanto fala, vamos fazer o quê? Esperar por uma frase, esperar por quê? Trocar a minha alma por um beijo. Não, não me ligue, eu não espero mais que um colo, não queira mais que poucas palavras, eu quero ficar quieta, eu quero falar muito, não espere a mínima coerência, tenho pensado tanto que cheguei à incoerência de não saber como dizer. Tento treinar com as paredes - ainda sei beijar? Acho que não, acho que nunca soube realmente. Você gostava de como eu beijava? Ok, muitas vezes eu não queria beijar, tinha uns ataques cinéfilos de beijos antigos, lábios colados numa posição que fazia rir. Ou, por aquele filme que eu gostava tanto, “na boca não” - mas o seu beijo, eu amava. Você simplesmente tinha que conviver com meus ataques, e eu com os seus. Era tão complicado assim, ou nos entendíamos em nossos desentendimentos? Entender não é importante. Eu te amava. Você entende porque alguns casais se amam e outros não? Entende porque eu não amei todos que eu conheci? E acha que conheci todos com quem fiquei? Acha que você me conheceu pouco ou bastante, o bastante para me odiar, um pouco para se sentir apaixonado no início ou lá pelo meio? Acha que estou complicando o simples, e apenas isso, complicando o que é simples?

Não nos falamos mais, é simples, isso é simples e difícil. Difícil para mim. Acho que não repetiríamos erros (brutais, imaturos) mas se repetíssemos, acho que eu… não, não acho que repetiríamos, nada se repetiria. Somos outros agora, sendo os mesmos, então acho que… a minha natureza, a sua natureza, fora daquele contexto, fora daqueles nossos problemas, dentro de outros problemas, sendo a realidade outra, essa, agora, atual, como seria? Conversaríamos sem receios, como antes? Seria espontneo (isso é perigoso, dependendo de - de tantas coisas, de quem seja, e com quem, e quem está ao redor, e etc, tantas coisas, onde eu estava? - ah isso pode ser perigoso, ser espontneo…) - mas seria espontneo ou haveria um - muro? Defesas entre nós? Palavras entre nós? Quero colo - seu, não das margaridas. Procuro o colo delas. Agora. Eu converso com elas, reclamo que o mar não fala mais comigo, o mar verde-água translcido com algas macias e perfumadas no fundo. O mar que morava em mim quando eu mexia no seu cabelo. O mar que se agitava em mim quando eu deitava com você. O mar que escrevia quando você me abraçava. O mar que era msica enquanto a gente acordava. Eu, aos poucos, vou andando. Até o guarda-roupas, que nunca falou comigo, buscar alguma coisa que não se encontra lá.

* Essas noites de insônia estão me matando.

O cérebro não parou de funcionar nem um só momento durante essas quatro madrugadas. Não consegue relaxar, coitado. Está entusiasmado com os progressos dos seus novos projetos. Deslumbrado, porque no dia seguinte poderá mostrar ao mundo parte de mais uma das suas ousadias. O cérebro ainda desconfia que tenha algumas qualidades e que possa, às vezes, se desconectar do resto do corpo…
Ele permanece calado, trabalhando, ganhando tempo enquanto tenta assimilar-destruir qualquer dvida e lembrança a respeito de certo relacionamento mal-resolvido. Finalizado, graças a sua força de vontade de sempre se expor. De querer receber a mesma atenção e lógica para resolver uma situação, e seguir adiante… Mesmo tendo a certeza de que pode causar a infelicidade e o sofrimento de certo órgão do lado esquerdo do peito…

- Próxima Página »