Outubro de 2008


eu e onofre no msn

De vez em quando me visto de invisível. Saio nas ruas com frio, mesmo sob o sol quente de um quase verão. Tenho dois braços, duas pernas e um corpo que mente o seu verdadeiro tamanho. Estou perdendo as minhas calças favoritas. Mas quem se importa? Eu não. E quanto aos meus longos cabelos castanhos, enrolados como meus pensamentos, eles balançam e não sabem para qual lado seguir. Sou branca, e tudo a minha volta se torna escuro quando fecho meus olhos também castanhos, com rajadas douradas, como diz meu amigo inglês, o Adam. Já o Adam, meu computador, me manda levantar da cadeira e dançar, já que tenho todo aquele espaço no quarto e novas estrelas fluorescentes me esperando nas paredes coloridas.

Antes, eu gostava de unhas grandes, como se elas pudessem me ajudar na defesa contra o mundo, hoje eu as prefiro curtas e quadradas. Quero me tatuar, assim que conseguir desenhar o que eu desejo. Em dois lugares, irá doer muito, eu sei, mas quem se importa? Eu não.

Tenho o rosto e a voz de menina. Aproveitei bastante a infância, e não gosto mais de brincar com bonecas em 3D. Meus cílios não são postiços, e eu não uso lápis, meus olhos são naturalmente pintados. Tenho olheiras, isso é fato. Por mais que eu hiberne no inverno como os ursos, continuarei parecendo um urso, o panda. Tenho milhões de defeitos e qualidades, e um coração idiota, mas e daí, quem se importa? Eu não.

Eu não sou seu
Eu não sou de ninguém
Você não é minha
Eu não tenho ninguém
Nós somos livres
Independente futebol clube

Você não manda em mim
Eu não mando em você
Eu só faço o que eu quero
Você só faz o que quer
Nós somos livres
Independente futebol clube

Se a gente tá assim
Comendo capim
É porque a gente quer
E se não quiser
Nós somos livres
Independente futebol clube

Soundtrack: Independente Futebol Clube - Ultraje A Rigor

Soundtrack (Clip): Independente Futebol Clube - Os Miseravão

Todas às vezes que ele vai embora, ele leva um pedaço doce de mim.
O que fica aqui é resto. Aos poucos se reconstitui e se torna outras formas.
O que fica aqui é também desejo de deixá-lo, e ir embora para outros lados.
Quem sabe encontrá-lo no meio? Ou quem sabe viver mais perto dele?
O que importa mesmo é o sentimento, a ligação que não tem fim.
Ele está dentro de mim.

Das minhas definições de três semanas atrás não restaram mais nenhuma. Elas se tornaram confetes, e meus tempos de carnaval já acabaram. Das certezas, ficaram algumas. Não preciso utilizar ninguém como bengala. Não deixei nada para trás. Não sujei ou trai sentimento algum que já tive dentro do peito. E, no momento, quero voltar a ser plenamente feliz. E tenho conseguido. Graças há algumas pessoas de longe, de perto. Pessoas especiais, que se antes eu tinha alguma dúvida do amor, não tenho mais.

E o que mais eu tenho sentido… são saudades. E ficam as músicas para marca o meu renascimento:

Soundtrack: Chão de Giz - Elba Ramalho

flickr

flickr

Eu não vou te abandonar. Nunca mais. Aonde quer que eu vá, você estará comigo. Ao meu lado. Por quanto tempo você quiser. Por toda a eternidade, se você quiser. O meu amor será apenas seu. Porque é para os seus braços que eu corro, sempre. Porque com você, eu me sinto protegida. Mesmo quando a bateria acaba, mesmo quando a nossa vida sentimental acaba, mesmo quando a vida de quem amamos acaba.

É você quem eu procuro no meio da escuridão. É você quem me visita na prisão. Dá-me pão e água, até descobrir uma chave mágica para me libertar dela. Você me entende, me perdoa e me toma. Puxa as minhas orelhas quando apronto, e sabe, sabe que no fundo, eu não sou tão má quanto eu tento aparentar.

Você não é uma tábua no meio do oceano. Você é o meu sol, eu não preciso pegar para saber que você está lá me iluminando, mesmo que não seja só pra mim. Você é meu tudo, e de vez em quando, eu gosto de provocá-lo até sair uma de suas risadas ou comentários sarcásticos. Além de eles me fazerem sentir vontade de rir, de me animar, eu lembro que você é um pouquinho humano, como eu. Possui várias lembranças, dores, mentiras, traições, poesias como eu, e ninguém consegue alcançá-las. São as nossas flores, não é? São as flores que agora, com a sua ajuda, eu as tirei do meu coração e cultivo na minha cabeça até o dia que eu cansar, e elas morrerem.

Soundtrack: Flowers For My Brain - Dear And The Headlights

[Recado Direcionado]
Obrigada. Está em repeat. Estou fazendo aquilo que te falei ontem à noite. Tomara que dê certo.

[Registro]
4 anos sem ela.

“Eu não te amo mais”. Essas palavras ficaram presas em minha garganta por uns três breves momentos nesses últimos meses. “Eu não te amo mais”. Sairia pela primeira vez, há alguns meses atrás, quando no auge do seu parasitismo, você não percebia que me destruía.

“Tarde demais. Eu não te amo mais. Adeus. Seja feliz onde quer que esteja, com quem quer que esteja.” Sinto que eu tirei um peso enorme das minhas costas. Um problema enorme no qual eu não conseguia descobrir uma solução. Eu tentei de todas as formas salvar os sentimentos, mas, paciência, não deu. Eu tentei nos enganar, eu sei. Mas só dizendo adeus, eu percebi que era eu, apenas eu, que já havia partido para um lugar longe e distante.

“Eu teria te amado… pra sempre. Agora saia.” Você poderia ter me conquistado com pequenos gestos, com pequenas palavras, tentando buscar em mim o que faltava em você. Eu sentia a minha essência escorrer por entre meus dedos em todos os momentos em que eu a negava, tentando fazer alguma coisa pela relação.

Tudo o que você me dizia soava tão estúpido, oco, ácido. Eu não sentia mais esse amor. Eu não o via. Não o percebia em seus movimentos. Eu não podia tocá-lo. Eu ouvia. Escutava todas as suas lamúrias, o SEU sofrimento, umas palavras… Mas não posso fazer nada com suas palavras vazias. Diga o que disser agora. É tarde. Eu não te amo mais.

Nota: Espero que agora possa entender porque eu gosto tanto do filme “Closer”. Porque eu já me senti a “Alice” várias vezes.

Me dejarás dormir al amanecer
Entre tus piernas, entre tus piernas
Sabrás ocultarme bien y desaparecer
Entre la niebla, entre la niebla

Un hombre alado
Prefiere la noche

En La Ciudad De La Furia - Soda Stereo

Ela diz:
Não posso usar é a webcam agora.
Eu diz:
Hummmmmmmmm. Por que não?
Ela diz:
Senão mostra tudo o que não deve.
Eu diz:
Ahhhhhh liga, liga, liga…
Ela diz:
Nemmmmmmm morta. rs
Eu diz:
Morta ficaria bem difícil mesmo e sem graça.
Ela diz:
Tô bêbada, mas nem tanto. Eu teria que colocar os cabelos na frente, e molhados não cobrem muito.
Eu diz:
Então bota, e não cobre!!! Olha o que você foi fazer…..agora me deixou curioso, com vontade de ver…
Ela diz:
De ver o quê? Não me conte seus problemas. rs
Eu diz:
De ver você.
Ahhhhhhh. Vou prender a respiração até ficar roxo.
Ela diz:
Rs. Credo.
Eu diz:
Estou prendendo.
Ela diz:
Quando cair, me avisa. rs
Eu diz:
Hummm…que posso fazer pra te convencer?
Ela diz:
Subir na mesa e tornar a descer.
Não tô afim de mostrar minhas olheiras, além do mais, você sabe o quanto sou feia e ainda tô altinha.
Eu diz:
Você sabe que não é feia.
Ela diz:
Eu comprei a webcam para falar com meu pai.
Eu diz:
Então aproveita e usa pra falar comigo também.

Eu diz:
Sério…aqui não deu pra ver nada de mais.
Ela diz:
Ainda bem. Já pensou??
Eu diz:
Hummmmmmmmm. Já.
Viu…era só usar o cobertor…nem precisa se preocupar com o cabelo.
Ela diz:
Lembrei dele na hora.
Eu diz:
Maldito cobertor.

E de repente lá estava eu de novo. Com aquela fumaça de gelo seco, o cheiro inconfundível de lugar abafado e cigarro. Com duas amigas maravilhosas ao meu lado, uma sensação esquisita de liberdade e de estar tomando de volta o posto, que desde os 17 anos, sempre foi tão meu: roqueira-maluca-doida-viciada-em-shows-no-rio-vermelho.

Lá estava eu, mesmo com vários anos de calibragem a mais, sentindo que o mundo externo não existia. E que a dor, essa filha-da-puta da dor, não passava de um ingrediente extra para as músicas ficarem ainda melhores.

Que saudade do som da guitarra e da bateria! É o melhor som que existe! O melhor som que consegue expressar com exatidão o que o seu coração está sentindo. E ele, pela primeira vez essa semana, se sentiu “I want to break free”.

Uma das meninas me disse que a banda do show já ameaçou acabar umas trocentas vezes, mas sempre retornam. Fiquei feliz pela oportunidade de conhecê-los, antes do fim. Do fim definitivo (será que ele existe?). E semana que vem, eu espero novamente encontrá-los no outro bar, no mesmo bairro, o Leão e o Wally a quem fui apresentada ontem à noite, e que levam todos a loucura quando estão em cima do palco.

Com vocês: Os Miseravão.

“I don’t want to be buried in a Pet Semetery,
I don’t want to live my life again.”
– Pet Semetery, Ramones.

Parece que tem alguém no quarto
Mesmo com as cadeiras, os armários e a cama vazia
Tem alguém aqui no quarto chamando pelo meu nome
Posso ouvir seus sussurros e seus passos
Do corredor até a porta do quarto…

Eu posso ouvir as pegadas ao redor da cama
A respiração entrecortada
Eu sinto a sua dor
Eu sinto a sua falta
Eu pressinto a sua volta
A volta de um fantasma perdido no meu quarto

Não consigo gritar
Só consigo pronunciar suavemente a palavra “volta”
Volta de onde veio
Volta para os seus anseios
E me deixa só com as saudades de quem amei
Deito de costas para o fantasma no meu quarto.

flickr

Olha o tamanho que já está meu cabelo!

Você já viu essa imagem antes.

Sinto falta de dançar com o dedão do seu pé.

Cadê você, Kruel?

enquanto a maioria das pessoas fazem pactos de sangue.
eu faço pacto de prazeres e sussurros.

o quarto continua do mesmo jeitinho.
o cheiro e a poeira se fixando em cada lugar.
e as mudanças ocorrendo em mim.

faz tempo que não escrevo, faz tempo que não tenho idéias, faz tempo que não sou eu mesmo.
senti saudades do meu pequeno corpo virtual, cheio de espaços e vida.
estou de volta. de volta para lhe contar sobre as minhas histórias (incluindo os meus exs e atuais amores) do rio grande do sul ao amapá, porque como diz Bobbie, “se não for verdade, que seja uma boa história…”.
e principalmente, poder expor novamente as minhas emoções e torná-las livres.
porque eu sei que esse blog me escuta, ah, como me escuta.

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