A primeira vez que eu senti amor, estávamos caminhando em direção ao portão de embarque da rodoviária. O coração parecia diminuir a cada instante, eu sentia que ia sufocar. Não podia deixá-lo ir embora, mas as decisões, naquele momento, não dependiam apenas de nós dois. Então ele se foi, e eu virei pó, sombra. Pensei em quantas coisas vivemos naqueles poucos meses, na sensação de estar completa ao seu lado, mesmo quando ele não me dizia nada. Só me olhava. E os olhos dele sempre me dizem tudo. Não conseguia mais imaginar viver nessa situação, então na primeira ligação, ainda no meio da estrada, eu o pedi para viajar pensando em uma definição: ou nós juntos, ou eu e ele, cada um em uma estação diferente.
Ele optou por nós, curtindo o calor tomando sorvete e o frio debaixo das cobertas. Adicionando um na vida do outro: sonhos, cores, sons, muito sons, e aquela sensação de “Lar Doce Lar” que eu havia perdido dois anos antes com a morte da minha mãe. E são também dois anos que comemoramos agora. Dois anos que eu realmente descobri o que é o amor.