Junho de 2007


O telefone toca. Uma conversa que se transforma. Palavras que são cuspidas. Sentimentos inversos. Ofensas sem sentido. Ela levanta de sua mesa. Passa reto pela recepção. Foda-se o trabalho. Fodam-se as contas. Foda-se a responsabilidade. O sol queima lá fora. Ao longe existe uma nuvem escura. É para lá. Este é o destino. O asfalto se torna terra. Os prédios agora são árvores gigantes. O povo é apenas silêncio. Uma semana se passa. E ela continua parada debaixo da nuvem. A chuva chega apenas no oitavo dia. Só então a dor passa. Ela é a dor. Ela repara em volta. Às vezes chove até que todas as pessoas fiquem cinza-azulado. Pronto. Agora ela já pode descansar. Um cacto de braços abertos no deserto. Uma flor. Um pássaro. Um tronco. Uma despedida.

It Changes

“Oi, Lucy. Lembrei de você ao assistir esse vídeo. Você, que odeia despedidas. rs. Nem foi me deixar na rodoviária, lembra? rsrsr.
Abraço grande.”
Anderson.

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