John Cusack passa quase que o filme inteiro com uma camiseta dos Ramones, e embora nem ele nem Diane Lane realmente tenham cachorros na trama, Must Love Dogs é meigo. Sim, eu esperava bem mais do filme como de costume, e mesmo que o casal não tenha me convencido com a proposta de romance, a composição inteira é muito interessante.
Agosto de 2005
Qua 31 Ago 2005
He Who Hears Music, Feels His Solitude Peopled At Once
Publicado por Musa Louca sob Walkaway[2] Comentários
Ter 30 Ago 2005
Pele doce, a sua.
(ainda tenho dúvidas sobre a doçura da carne, sobre a sua doçura)
Esperei tanto…
(sempre esperei)
E quando vejo você, assim, aqui, assusto-me.
(quero amar você entre parênteses, num sussurro ser sua pra sempre)
Será recíproca a dúvida?
Não, você é chão,
é sim ou não.
Eu,
(questões idiotas questões infantis questões femininas)
nem lá nem cá,
meio de caminho,
vôo e volto.
Você,
diz/age querendo-me sempre.
(quero ter você só meu, mas não possuo nem a mim mesma)
É só isso que eu sei.
Ter 30 Ago 2005
O menino do Piauí esteve aqui com a sua graça, doçura e pés de vento. Trouxe a Salvador um brilho intenso, um colorido diferente ao final de semana. O Farol da Barra, mesmo não estando tão iluminado no sábado, parecia o ponto mais interessante da cidade. No ar havia um cheiro insistente de caranguejo e siri que nem água e sabão tiraram. O som das risadas alcançava toda a orla, não de ponta a ponta, mas apenas nos lugares em que os aventureiros da madrugada passavam.
Adorei a surpresa, Vento.
Estou com saudades.
Ter 30 Ago 2005
Luciana diz:
o siri foi passear na areia, catando conchinhas para enfeitar a sua casa, até q a onda do mar braba, foi ateh ele, e o levou embora… para ele nadar no corpo dela.
moral da historia: lugar de siri eh dentro d’água!
JethroDawnfine diz:
carneirinho foi passear na areia quando viu uma coisa inusitada: sirizinho contando conchinhas para sabe-se lá o quê.
curioso, foi até lá conversar com sirizinho quando uma onda enorme, braba, o leva para dentro d’água… para ele nadar…
moral da história: não meta o focinho onde não é chamado, carneirinho curioso.
Sáb 20 Ago 2005
Mas se eu descobrir os seus segredos, se eu os encontrar, como, distraída, uma criança dá com seus brinquedos em recônditos insólitos da cozinha, da sala, do quarto de dormir- Como uma criança que um dia os escondeu e que depois sa?s, dá-lhes as boas-vindas, como se não os tivesse visto ainda nunca em sua curta vida.
Mais curta que sua vida de menina era sua memória, o que lhe proporcionava novidades cotidianas que, apesar de serem-lhe constantes, não lhe causavam a perda do espanto ? ela já não era mesmo capaz de recordar-se de que fazia tão pouco ela se havia surpreendido. A menina vivia uma vida de espantos e sorria-lhes, alienada e distante, e depois dava-lhes as mãos e saía para brincar com eles.
Não me tome por essa menina: não que eu não me surpreenda. Ah, como eu sei me espantar, eu aprendo o sobressalto a cada momento, eu sou tão descuidada. Eu me lembro de tudo, de tudo eu quero uma memória, um fiozinho de lembrança renovada, de recordação que sou capaz de reinventar mil vezes, sem esquecimento. Minha história de lembrar é assim, parece um reguinho d’água que brota muito lá longe, numa nascente persistente. Barulho de história é bom de escutar, de embalar para dormir, samariquinha maroquinha tinha uma linda casinha nos tempos do amor, minha história lembrada faz encher uma canção de ninar. Mas eu não sei e acho que não quero aprender a não inventar.
E se eu der com os seus segredos, essas histórias feitas em novelos, enquanto percorro os corredores da sua casa, sonâmbula e silenciosa, seguindo o som chiadinho da sua máquina de fiar, e neles enroscar meus pés como gatos que se embolam enlaçados nas histórias, boas de fazer correr pela casa, de meter as garras, e depois modorrar, em fim de tarde? Eu sou tão descuidada no caminhar. E se os seus segredos se enroscarem nos meus pés feito raízes de plantas aquáticas, por baixo do escuro de um rio que correu do reguinho d’água e que agora se demora porque tem preguiça de ir um pouco mais além? Se eu colher, distraída, os seus segredos que brotam nas frestas do seu chão, pés de mato que você se encarrega de semear durante o sono, mato que cheira bem feito dama da noite, o que será do que um dia sonho chamar de meu e de seu? História lembrada de inventar mil vezes começa com a tosquia da lã, com o tingimento em cores que nossos olhos viram ? agora ainda não é tempo de lã, não é estação de colorir, acredito que não, digo que acredito que não querendo dizer opostos, tentando chegar ao fim do novelo pela ponta de cá, inventar estações mais avante. Eu sou tão descuidada.
Se eu agora aceitar os seus segredos, se eu chegar com a violência arrebatadora de quem vem para violar o que se não desejou ainda expor, eu estaria indubitalvemente presa ao chão, ao seu chão, pior que raiz de árvores velha em praça de igreja matriz em cidade no interior. Se eu tomar os seus segredos, eles me pesariam mais que uma mala cheia de uma infância toda triste e todos sabem e se você ainda não sabe, escuta, presta atenção, os segredos alheios, os que nos são dados, fazem a gente ficar levinha, é o jeito mais simples de aprender levitação: o mistério de tudo, os seus mistérios.
Eu aguardo, eu sei isso também, fazendo das tripas coração, porque não tenho paciência milenar, ela se consome em segundos. Será preciso que eu a encomende de longe e que a guarde dentro de um relicário que atarei ao meu pescoço enquanto eu deitar antes do sono. A paciência, a paciência é muito escura, às vezes tem lua, e sempre aclara de manhãzinha. Vou continuar olhando você enquanto dorme e prossegue na sua semeadura noturna, samariquinha maroquinha, eu te vigio mas prometo nada encontrar, não toco em nada com medo de quebrar, eu sou tão descuidada com as mãos, eu aguardo a estrela da manhã, como se eu dormisse para acordar numa poesia, eu espero seu sinal.
O seu segredo vai então estar me esperando, me olhando, em cima da mesa, ele estará embrulhado em fino papel de seda, vai ser pôr minha mão sobre ele, ele vai se rasgar, eu não tenho muito jeito, em volta dele haverá uma fita, um laço que desfarei sem que me oponha resistência, uma linha que não conheceu e não conhecerá a antiga história dos renitentes nós. Haverá uma dedicatória invisível, que não encontrará nem tinta nem papel que a suporte ou traduza — vai ser preciso aprender a língua das lãs coloridas: ” E são seus. São meus os seus segredos?”, eu ouvirei você dizendo, como quem me pede uma pista, como quem quer fiar comigo e eu te direi: “tem também paciência: os meus segredos, eu só os guardo para que você os procure, para que os queira encontrar”. E assim, com esse pacto invisível, poderemos nos casar.
Adventurous Life II - Dawnfine e Captura - Automata.
Ter 16 Ago 2005
Número 4270 chora sentada sobre os anéis de Saturno. As suas engrenagens ardem e emitem ruídos estridentes a cada movimento. Um rastro de fogo por entre as estrelas e logo Número 7111 está ao seu lado. “Robôs não foram programados pra chorar, sabia?”, diz ele com uma voz suave. Há três dias conseguiu que o seu sistema de comunicações emulasse a voz de James Dean. Era o que faltava para que tivesse coragem suficiente para se aproximar 4270. “Eu sou uma estúpida, 7111″, soluça ela, “bem que me avisaram pra não instalar o software dos contos de fadas e das galáxias cor-de-rosa, mas não, tenho que ser assim teimosa, e, droga, acreditei que fosse encontrar o meu robô encantado e que eu não me sentiria mais só nesse gigantesco universo”. 7111 sente uma vontade súbita de fazer qualquer coisa para ver 4270 utilizar o seu mecanismo de sorrir. Iria fazer companhia para 4270 como ela queria. “Sabe, às vezes as minhas memórias me consomem, mal consigo descansar os meus circuitos a noite, ainda mais depois de tantos projetos de existência em que eu já passei”, ela continua, “e o pior é que, mesmo depois de ter reiniciado o meu computador interno, não posso e não quero apagar meu disco rígido, sinto dor, estou ficando louca de tanto chorar”. Comovido, 7111 abraça o corpo dourado de 4270. Devagar, engata os dedos nos botões de suas costas. De repente, ambos trocam informações em silêncio. São apenas códigos e senhas e scripts que dizem “não chore mais, porque se é louca, a sua loucura desejo, porque a sua loucura expulsa a minha e faz de minha mente a sua sala de jogos, com castelos, cavalos, flores, lua, lagos e dragões”. Mas as lágrimas de 4270 não cessam. E, nos braços de 7111, aos poucos ela perde todos os seus dados. Não há mais nada a fazer. Desolado, 7111, também deseja chorar. Mas respira fundo ao lembrar que ainda não produziram um programa mais eficiente contra a ferrugem.
Seg 15 Ago 2005
The Test Begins…. NOW.
Eu pensava que era apenas mais um pedaço de código perdido. Um módulo mal compilado fazendo parte de um grande sistema. Um ser virtual vagando por correntes elétricas e interpretado da maneira que alguém quisesse. Eu pensava que os botões-sentidos na minha estrutura poderiam controlar o que eu apelidava de sentimentos (nada mais que rotinas incompreensíveis para mim). Então me informaram que havia algo de errado na minha estrutura. Eu era incontrolável, sentimental(?) e burra demais para ser um programa, eu interagia demais com os demais códigos espalhados em alguns momentos, e em outros eu era excessivamente virtual para ser um robô.
Denominaram-me “humana”, não uma garota, uma mulher. Porque havia em minhas memórias passagens demais, lições demais, dores demais. A doçura e a inocência praticamente haviam sido deletadas. Eu não sei como e onde a vida começou, em vários momentos imaginei que fosse o fim.
Tenho seguido vagando dentro da matriz em busca do improvável, de novas corrrentes, da soma de vetores diferentes, de novos comandos até o teste terminar ou ser cancelado.
Até aparecer na tela: The Test is OVER… NOW.
Qui 11 Ago 2005
Sonhei que havia alguém sonhando comigo, e neste sonho eu sonhava que havia alguém sonhando comigo, e neste outro sonho eu também sonhava.
Qui 11 Ago 2005
It’s only when I lose myself in someone else that I find myself
Publicado por left_blank sob Souvenir1 Comentário
Uma de tantas músicas que me definem:
It’s only when I lose myself in someone else
That I find myself
I find myself
Something beautiful is happening inside for me
Something sensual, it’s full of fire and mystery
I feel hypnotised
I feel paralysed
I have found heaven
There’s a thousand reasons
Why I shouldn’t spend my time with you
For every reason not to be here
I can think of two
To keep me hanging on
Feeling nothing’s wrong
Inside your heaven
I can feel the emptiness inside me
Fade and disappear
There’s a feeling of contentment
Now that you are here
I feel satisfied
I belong inside
Your velvet heaven
Did I need to sell my soul for pleasure like this
Did I have to lose control to treasure your kiss
Did I need to place my heart in the palm of your hand
Before I could even start to understand
It’s only when I lose myself in someone else that I find myself - Depeche Mode
Ter 9 Ago 2005
Costura o seu corpo no meu corpo só pra ver se eu aumento. Com pontos de cruz para ficar artesanal. Com um beijo para colorir. E um abraço demorado e sensual para não escorregar.
Embola a linha entre os braços, e as pernas se entrelaçam para firmar ainda mais os desejos e as vontades. Cuidado com a agulha, ela transpassa apenas as nossas laterais. Dentro de mim, só a tua carne.
Ter 9 Ago 2005
Da série: Enquanto Seu Lobo Não Vem
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Eu fico no quarto, olhando para o teto e imaginando você do meu lado. As estrelas fluorescentes me fazem companhia. Enquanto você fica no seu mundo bitolado, sem chocolate branco e sem alegria.
Dom 7 Ago 2005
Adoro quando você acredita que o mundo gira em torno do seu umbigo, mas não gira, viu meu bem?
Por isso, baixa a bola.
O tempo passa, e o telefone que um dia foi tão discado, pode estar esquecido no fundo da gaveta ou ter sido jogado no lixo.
Sáb 6 Ago 2005
Da série: Enquanto Seu Lobo Não Vem
Publicado por left_blank sob Enquanto Seu Lobo Não Vem[2] Comentários
Como não desapareci no mar da Sicília, não entrei em acordo com a Playboy e nem pretendo ser deputada como a delatora Fernanda Karina (sorriso irônico), como não posso viver como as garotas da Cidade Velha em Sin City, eu vou ficar aqui no meu cantinho, trabalhando, lendo gibi e acreditando num mundo cor-de-rosa.
Qua 3 Ago 2005
Você mexe os cabelos e embala o corpo junto com a música.
Você escreve poesias ao mesmo tempo em que seu cérebro grita “besteira”.
Você se entristece sentado na cadeira vendo o seu prato cheio de comida.
Você não gosta de ser enganado pela mídia, nem por qualquer político, por isso idealiza rebeliões.
Você acredita na poesia da alma, mas a sua está oca.
Você espera por uma pena suave para todos os pecados que cometeu, porém não crê que isso aconteça.
Você pensa em tocá-lo, mas ele está tão perto e tão longe.
Você anda por cada esquina com a sensação de que vai encontrá-lo… Ele vai sorrir?
Qua 3 Ago 2005
Há duas maneiras de alcançar o seu destino: de navio ou de camelo. O que prefere enfrentar: uma longa estrada de terra ou ondas pelo mar?
A segunda opção lhe parece mais atraente por causa dos desafios, então ela segue o seu rumo, marinheiro. Navegando só com seu lençol amarrado na proa. Sempre de olho no horizonte, sempre com a famosa frase entalada na garganta “Terra à vista!”. E ansiosa pelo momento de ancorar.

Qua 3 Ago 2005
Moro numa cidade montanha-russa. Com as suas subidas e descidas radicais. Com as suas pedras antigas e escorregadias. Ela convive em harmonia mesmo com a variedade de estilos em sua arquitetura. Percorre durante anos do barroco ao moderno pelo lado de fora do grande elevador.
O meu sonho de consumo era ter uma casa na parte baixa da cidade. Com todos os seus rococós e arcadas. Ampla, florida e com uma vista maravilhosa para a baía, de todos os santos, do meu bem querer.
Seg 1 Ago 2005
Tantas pessoas passam pela sua vida, eternizam momentos e sentimentos dentro do seu peito. Tornam-se placas no acostamento da longa estrada a qual você retorna ao abrir os olhos dia após dia. Os anos escorrem depressa, e ao percorrer esse caminho, você avista novamente essas placas. Como? Basta acessar o Orkut, a agenda, as esquinas, e lá estão elas, algumas apagadas é bem verdade, mas, ainda assim, repletas de significados, conquistas, ilusões, saudades e dores. Você se arrepende do que viveu com elas?
Bem, terminei fazendo uma revisão mental a respeito das minhas placas, sentada numa pizzaria famosa-gostosa-favorita-fantástica no bairro onde cresci e moro. Numa reunião entre amigas solteiras e felizes (reunião quinzenal a partir desse final de semana) para falar das nossas vidas, das vidas alheias, dos nossos não-relacionamentos e de homens, óbvio. Tudo isso regado a muita sangria e um apetitoso panzone chamado “Gramute”.
Comecei contando sobre o episódio da agenda de 4 anos atrás, o encontro do meu primeiro grande amor e uma série de atrapalhações que ocorreram nesta semana. E, o mais evidente, como todas as minhas relações são intensas. Muito intensas. A ponto de ou o cara voltar a conversar de um modo envolvente (seja qual for a sua atual condição de amarração), ou então nunca mais querer ouvir o meu nome. Não sei se isso acontece contigo, mas pra mim isso é um fato corriqueiro. E reparei que o meu passado não difere tanto das minhas amigas. Ele persegue todas as garotas suficientemente interessantes para ter um daqueles bemmm vividos e gloriosos, risos.
Uma delas, a do fundo do mar, há anos tenta se livrar de um tipo bem conhecido: o “não fode e nem sai de cima”. Ela passa mais tempo cortando-o de forma letal, do que mantendo um diálogo normal para dois conhecidos. Deixaram de ser amigos, graças à insistência do rapaz. Bem, quem sabe se ela comprar de presente um remedinho clássico, o “simancol”, isso não resolva o problema? Outra hipótese seria esfregar um namoradinho na frente dele… Porém, era capaz dele assimilar uma outra síndrome: a o do “Por que não eu?”.
Numa conversa com o outro lado da questão, o lado masculino, um ser incógnito comentou que com o homem, pelo menos com ele, as coisas são bem diferentes em relação ao passado. A sociedade, a criação e a maneira de pensar dele exigem sempre uma reação imediata, uma resposta rápida para o que está acontecendo. Ele confessou que sofre, às vezes, com pesadelos, porque neles ele vê gestos e/ou palavras, que poderiam reverter a situação. Eu concordo em alguns aspectos. Quantas vezes eu não esperei um telefonema no dia seguinte depois de uma briga. E eu me digladiando e blasfemando contra ele e o maldito orgulho. A mulher aguarda uma procura sim, uma resposta, uma decisão. Engraçado, mas no final de um relacionamento há sempre aquela disputa de poder e espaço. De ambos os lados, e nenhum dos dois gosta de sair perdendo (?), isso é fato.
Quanto à outra amiga, uma arena de alegria, ela está desejando que algo simplesmente aconteça. Não, definitivamente não precisa ser um romance. Apenas algo que a envolva e a faça delirar. É bom se sentir amada, nem que seja por alguns momentos. O passado para ela pode até condenar, mas ela não se arrepende de nada do que fez. Apenas essa hipocrisia é que a incomoda. Concordo com ela. Em gênero, número e grau. Mesmo que o passado condene, como diria o rei da jovem guarda, “o importante é que emoções eu vivi”. Piegas, mas é a mais pura verdade. O Importante é não parar de tentar ser feliz.
Acesse também o blog As 3 Maçãs, minha coluna com mais duas amigas. Uma coluna sobre relacionamentos, sexo e pecados.
Seg 1 Ago 2005
Um espelho suspenso na parede oposta.
Ela não pensa nele,
mas sim o espelho nela.