Julho de 2005
Arquivo Mensal
Ter 26 Jul 2005
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Caos[7] Comentários
Avançamos pela rua. Não somos vários, somos provavelmente um só, mas aparentamos conter em nós uma multidão indefinida. Estamos afastados pelos satélites, pelas marcas das roupas, pelos bilhetes de identidade, pela burocracia, pela língua que falamos, pelas línguas que beijamos, pela cor dos olhos que nunca nunca é sempre a mesma, pelos objetivos ou pela falta deles, pela qualidade da parede das nossas casas, pela vida que levamos e que nos trouxe à porta de um carro ou à um par de sapatos para uma longa caminhada. Que já percebemos ao descer a rua, pois estamos perto, bem perto da margem. Quase a chegar, quase a ancorar numa margem de vida.
Há alguém que com mágicas frases na cabeça para dizer, das que se volatilizam na hesitação da civilidade. Há alguém que pondera as compras para o almoço, há alguém que pondera salvar o mundo. Há quem sofra e fique calado, há quem tenha muito para dizer depois da travessia. Há quem não tenha a mínima relação com o mundo, há quem seja filho do acaso, da ausência de “razões particulares”. Há quem tenha esperado, esperado, esperado. Há quem venha a correr, a tempo de ver o veículo parar e abrir vagarosamente as portas.
Depois há um instante em que o interior de um ônibus é o interior do peito de toda uma espécie.
Horas mais tarde, as crianças olharão com olhos de choro para as portas do automóvel que engoliu os grandes, que engoliu todos, e o sal do choro salgará o ódio.
E quem vive respira, e come, e bebe, e fuma, e dorme desespero.
Deixa de importar quem trouxe quem, para levar para onde: urge uma mão invisível para acordar os vivos que adormecem mortos.
Seg 25 Jul 2005
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Amor[2] Comentários
Amor não é.
É sonho.
É invenção dos suspiros, meu produto.
Meu erro. Foi um erro.
Foi um leque que se abriu e esvoaçou o mundo.
Foi sem motivo.
Sim.
Amor não foi.
E, amor, não será.
Qua 20 Jul 2005
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Walkaway[4] Comentários
Eu e Minha Melhor Amiga.
Fica essa homenagem para uma pessoa muito importante na minha vida.
Feliz Dia do Amigo para Todos!
Sáb 16 Jul 2005
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Amor[4] Comentários
cento
e
oitenta
mil
imagens
espalhadas
em
vinte
e
quatro
quadros
por
segundo
e eu vejo em grande angular sua boca em outra voz e seu olhar em outra face e eu em outro corpo e a gente fazendo amor como nunca e gemendo e gozando com a mão no lençol e a maldita música que tem a sua cara e eu viajo em sons que estimulam sentidos sensações excitam meu sexo minha mente meus sonhos meus desejos minhas lágrimas minhas risadas todas as possibilidades inimagináveis de alguma coisa comum,
sonho.
o tempo de um filme.

[ Recado Direcionado I ]
Eu quero você. De verdade.

[ Recado Direcionado II ]
Eu sinto muito pela sua dor, mas como tudo neste mundo, ela vai abrandar. Pode até não ser esquecida, mas suavizada ela será. Estou aqui para um colo virtual, se quiser. Se sentir vontade de voar por essas terras não tão ensolaradas como em outras épocas do ano, pássaro, estarei por aqui. Beijos poeta.
Dom 10 Jul 2005
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Sem Categoria[3] Comentários
Qui 7 Jul 2005
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SoundtracksComments Off
Why do you come here
When you know it
Makes things hard for me?
When you know, oh
Why do you come?
You had to sneak into my room
‘just’ to read my diary
“It was just to see, just to see”
(All the things you knew
I’d written about you…)
Oh, so many illustrations
Oh, but
I’m so very sickened
Oh, I am so sickened now
Oh, it was a good lay, good lay
It was a good lay, good lay
It was a good lay, good lay
*****
Por que você vem aqui?
Quando você sabe que isso
Torna as coisas difíceis para mim
Quando você sabe, oh
Por que você vem?
Você tinha que invadir furtivamente meu quarto
‘Só’ para ler meu diário
“Era só para ver, só para ver”
(Todas as coisas que você sabia que
Eu tinha escrito sobre você…)
Oh, tantas ilustrações
Oh, mas
Estou tão enjoado
Oh, eu estou tão enjoado
Oh, era uma situação boa, situação boa
Era uma situação boa, situação boa
Era uma situação boa, situação boa
Trecho de SuedeHead - Morrissey
Não consigo tirá-lo da cabeça!
)
Ter 5 Jul 2005
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Be My Baby[3] Comentários
Eu tenho um lindo Ursinho de Pelúcia
)
Seg 4 Jul 2005
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Loucuras[4] Comentários
Eu trançava meu cabelo para que você não fosse engolido. Eu tinha medo de que meu cabelo escuro se soltasse enquanto eu estava debruçada sobre o asfalto preto e a rua crescesse que nem um jasmim-estrela ou unha-de-gato e chegasse à minha cabeça. Minha cabeça engoliria você sem mastigar. Como uma boca engole refrigerante. Acho que eu só pensava poesias. Tardezinha, eu batia palmas em frente à sua casa, esperava você aparecer e verificava com as pontas dos dedos se a fita laranja que prendia a trança estava bem firme. Quando você vinha comigo, agachava-se ao meu lado, vigiando a caixa de giz, e olhava para os dois lados da rua, olhando atento o fluxo dos carros tão grandes e barulhentos, guardando a caixa e guardando a poesia riscada de azul, de rosa, de amarelo, você era meu melhor amigo. Melhor que meu melhor verso. Que os carros não atropelassem a rima, nem a caixa de cores. Pensei que era a lua, era o seu azul iluminando a rua, eu escrevi, e olhava pra você que virava os olhos de lá pra cá, guardando a caixa, a poesia e a mim, admirava seus dedos brincando com o giz, riscando palavras sobre a calçada e o asfalto preto que chegava até a minha cabeça. Você nunca dizia nada. E eu ria da sua caligrafia que fingia ser serpentina de baile de carnaval, imaginando confetes chovendo de pouquinho. E quando pensei que fosse a lua, era o brilho da minha boca na sua, eu li, no dia seguinte, manhãzinha de ir pra escola, em letras azuis. Tive certeza de que se eu voltasse a bater palmas em frente à sua casa, você não viria mais, e alguém que eu não conhecia diria “menina, ele não mora mais aqui”. Porque minha cabeça, eu pensei, minha cabeça tinha finalmente engolido você.
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