Estou colocando um novo telhado na minha casa.
Favor aguardar na sua residência calma e confortável para não pegar um resfriado nesses dias com temporais intermináveis.
Os pingos contínuos estão inundando o banheiro, a cozinha e o quarto.
Não sei direito onde colocar as canecas e os baldes pelo chão.
Minha visão está meio turva.
Pela chuva e pelas lágrimas.
Julho de 2004
Qui 29 Jul 2004
Qui 29 Jul 2004
Deixe seu coração chorar
Oasis
Hold up
Se atrase
Hold on
Agüente
Don’t be scared
Não se assuste
You’ll never change what’s been and gone
Você nunca mudará o que aconteceu
May your smile (may your smile)
Talvez seu sorriso (talvez seu sorriso)
Shine on (shine on)
Brilhe (brilhe)
Don’t be scared (don’t be scared)
Não se assuste (não se assuste)
Your destiny may keep you warm
Seu destino pode manter você aquecido
Cause all of the stars
Porque todas as estrelas
Are fading away
Estão desaparecendo
Just try not to worry
Apenas tente não se preocupar
You’ll see them some day
Você as verá algum dia
Take what you need
Pegue o necessário
And be on your way
E siga seu caminho
And stop crying your heart out
E deixe seu coração chorar
Get up (get up)
Levante (levante)
Come on (come on)
Venha (venha)
Why you scared? (not scared)
Por que está assustada? (não estou assustado)
You’ll never change what been and gone
Você nunca mudará o que aconteceu
*Musa Louca sob Efeito Borboleta.
Qua 28 Jul 2004
Quando você acordar vai sentir o caminho dos meus dedos pelas suas costas. Quando você acordar vou olhar no espelho e não reconhecer o meu passado. Quando você acordar o meu coração estará aos pedaços ao lado da cama esperando para que junte os cacos. Quando você acordar verá o rastro de minha perna nas suas coxas. Quando você acordar o mundo todo irá parar para vê-lo abrindo os olhos. Quando você acordar o seu rosto estará marcado pelos beijos que não dei. Quando você acordar irei olhar o presente no seu brilho castanho. Quando você acordar todos os DJs do mundo irão tocar a mesma música. Quando você acordar o sol vai finalmente aparecer. Quando você acordar os seus cabelos serão 1977 e a minha paixão 1989. Quando você acordar vou começar a dedicar a minha vida para encontrar uma nova definição para o sexo. Quando você acordar o relógio do meu desejo irá despertar. Quando você acordar o meu sorriso irá congelar. Quando você acordar a sua boca na minha, garoto, quando você acordar eu já terei escrito todo este texto na ponta da língua, dos seus pés à cabeça.
Ter 27 Jul 2004
…às vezes pensamos, vivemos e nos frustramos em dias que parecem não ter fim… e nos decepcionamos com a nossa casa, a nossa raça, com o nosso sangue… e então temos vontade de desistir de tudo por pura falta de esperança naquilo em que um dia acreditamos… aí, ao olhar em volta, percebemos que existe algo belo no meio da selva, um ser que insiste em ser belo em meio a negra realidade…e a beleza desse ser dá alento, e impede a desistência, e devolve a coragem, e faz todo esse monte de minutos sem nexo valerem à pena, fazerem algum sentido…
Qui 22 Jul 2004
Ele era um menino quando foi apresentado a um estilo de música e de vida pelos seus amiguinhos do bairro. Desde que começou a curtir bandas como AC/DC, Deep Purple, Sepultura e Whitesnake ele, hoje homem feito, passa horas em lojas de cds, ouvindo todas as faixas de todos os discos disponíveis para serem executados, de gostos variados, diferentes, misturados, inclusive, ao pop. Ele sempre começa a sua busca incessante pelos seus favoritos, mas quando sobra tempo, parte para todos os lados da loja. Nenhum vendedor o perturba mais. A multidão de sacolas se encontrando e se despedindo, filas de compra e troca, postes com cds, vídeos passando nas tvs das paredes, revistas especializadas, pacotes, dvds, estantes lotadas de sons prensados o intimidam e fascinam simultaneamente. Ele tem seus trinta e poucos anos e não queria que fosse seu aniversário. Ele queria poder se esconder dentro de uma daquelas caixinhas de cds e ser levado por alguém que se importasse em ouvir boa música. Sua música. Sua música que agora toca bem baixinho. Todos os seus amigos estão por aí agora, cada uma com a sua vida, seus fantasmas, seus trabalhos, seus filmes e suas próprias músicas. Pois mesmo namorando com charme, ele não se esquece de cada um deles. De conversar e de contar seus problemas e suas alegrias da alma. Compartilhar, rir à toa e lembrar de como é desengonçado dançar em lugares apertados onde freqüentava. Mas ele é apenas um rapaz que quer apenas ouvir, ouvir sem parar as melhores músicas que lembram dias que ele ainda não viveu. Ele quando ouve música sabe que pensa em mais e mais coisas que dispersam e se encontram, como se estivessem circulando pela loja com ele.
Quantas pessoas armadas com suas sacolas de plástico e cartões de crédito estão realmente preparadas para ouvir tanta música? Dêem seus discos pra mim, eu saberei como ouví-los. Eu saberei para quem ouví-los. E se ninguém ouvisse mais, onde iria parar tanta música? Seria energia sonora depositada numa camada do universo, que esperaria por novos ouvidos, melhor preparados?
Falta luz na loja, falta música nos ouvidos dele. Sons de surpresa ao redor, o previsível som de surpresa quando falta energia. Luzes de emergência se acendem. Nenhuma música toca para ninguém. Ele percebe que as pessoas se sentem um tanto estranhas. Teriam elas despertado de alguma terapia-do-sono consumista? Será que elas ainda não descobriram que nunca ouviram nada, mesmo, há muito tempo? Não, acho que isso seria querer ouvir demais no silêncio. Ele devolve o headphone para o seu lugar. Resolve cantar mentalmente a primeira música que lembra ter aprendido. Algumas pessoas ao seu redor se dispersam da loja semi-iluminada e vão embora, e ele, pela primeira vez, resolve não se importar tanto. As luzes voltam. As pessoas retomam seus postos. Voltam aos vendedores, as sacolas, ao apito do alarme da saída e ao falatório. Mas um pouco antes disso, ele havia deixado a loja em rumo a cidade invisível sem nem lembrar de ligar seu disc man.
Without you, I’m nothing. Te amo. Feliz Aniversário!
Seg 19 Jul 2004
Através de pensamentos ele me toca.
Através de poesias ele me compõe.
Através de sentimentos ele me possui.
Qui 15 Jul 2004
Sou a fotografia colorida da tua felicidade perdida nesse mundo de desilusões.
Qui 15 Jul 2004
Estou ocupada em flutuar entre duas realidades: a default e a onírica.
Estou trabalhando demais nos projetos e sonhando acordada.
Não tenho condições de escrever
Qui 15 Jul 2004
Eu vou RAPTAR o coringa do baralho, enfiá-lo em uma sacola e fugir para longe…
Ter 13 Jul 2004
Noventa e nove porcento da população respira oxigênio.
Eu respiro canções.
Ter 13 Jul 2004
O rock está morto. Isso passa pela mente no exato momento em que tiro o meu corpo debaixo do seu. Fujo do seu beijo. E deito de costas para você. Fixo o meu olhar numa das estrelas fluorescentes perto de nós. Nossas respirações ainda estão ofegantes, adrenalina correndo rápido pelos corações, braços e pernas misturando-se. Uma verdadeira avalanche, tempestade, furacão, e, de repente, parece que vinte cinco anos da minha vida pararam de fazer sentido. Como se todo o dinheiro e tempo gastos em discos, fitas cassetes, shows, todas as canções que consolaram e emocionaram e assassinaram a minha alma, tudo isso dedicado ao mundo rock e pop fosse em vão. Como se eu precisasse de melodias, versos e microfonias para sentir alguma coisa, qualquer coisa que me tornasse mais viva, qualquer coisa que amplificasse a voz de meu desejo, qualquer coisa que me fizesse perceber que sou de carne, que sou de osso, que sou de sentimentos que se evaporam no ar, agora nada disso faz sentido, porque o cara ao meu lado agora é a música que me toca, que me importa, que me mata, é harmonia, é poesia, é magia, que fodam-se os Beatles, que fodam-se os Stones, que fodam-se os Stooges, que fodam-se os Ramones, que fodam-se os Temptations, que fodam-se os New York Dolls, que fodam-se os Sex Pistols, que fodam-se eu e você, literalmente.
Quero o punk e o pink, o glam e o glitter, o hard e o core, assim, assim, no volume máximo, através das minhas coxas pressionando a sua cabeça como headphones, e você escutando “gimme head, gimme shelter, I wanna be your man, I wanna be your dog, dreaming of love, dreaming of you”, porque com você encontro todas as canções que preciso ouvir, todas as baladas, todos os rocks, todos os barulhos, todas as batidas, todos os grooves, você é meu jukebox, você é meu rockstar, você é meu junkie, você é meu roadie, você é meu bandleader, você é meu tour manager, você escreve, produz e mixa os meus dias, está no topo das paradas e é hit do meu lado mais sujo, underground, perverso, que agora quer você de todas as formas, de lado, de frente, de verso, de lá, de cá, rápido, devagar, um solo de guitarra que não termina mais, os meus dedos fazem pentatônicas pelas suas costas enquanto você me conduz, e, então, quando o nosso gozo chega como se fosse um refrão, finalmente descubro por que sempre fui obcecada por rock: eu queria apenas sentir tudo em mim arrepiar.
E então apareceu você.
E o rock, bem, o rock está morto.
Dom 11 Jul 2004
O dia começa cedo, apesar de eu estar dormindo muito tarde. Deveria permanecer na cama às sete da manhã, enrolada ao edredon e ao sonho doce e erótico devido aos seus gemidos no meu ouvido. Mas levanto e, no banho, o meu pensamento continua conectado aos seus sons. Entre as roupas que penduro no varal, uma palavra, ou duas, falam seu nome. Elas balançam ao vento, junto com as roupas, soprando os meus desejos, me dizendo tudo aquilo que eu já sei. Na cozinha, as panelas soltam uma fumaça branca, soltam cheiros de família. Mas eu não estou aqui.
Eu vou junto com a fumaça, eu vou embora pelo ar, eu me desfaço em ar e as distâncias diminuem. As camas todas têm os lençóis esticados, os travesseiros estão ao sol, o ar está cheio desse cheiro de limpeza, as colchas têm rendas e detalhes, mas, em cada curva do tecido, em cada dobra de cada fronha, eu vejo você.

Vejo você nas plantas do jardim, nas flores que caem pelo chão, nas gotas da chuva do inverno que caem pelo meu rosto quando o vento bate e encharca tudo. Eu lhe procuro em músicas do Jorge Ben. E nas do Guilherme Arantes também. Eu lhe procuro em vozes desconhecidas, que falam nas ruas. Nas ruas cheias de gente. Tanto de gente quanto de gatos. Gatos que eu amo sem nem conhecer.
A música toca. Uma música que para mim representa o fim e o começo. E ela recomeça, de novo, de novo e de novo. A música suave e romântica, a música anos 80, criança, cheia de semitons e delírios. E o meu amor se transforma em você. Você é meu desejo, meu carinho, minha beleza. Você é o meu ideal. Uma idéia medieval, que renasceu. Uma idéia de construir castelos e ser uma dama de copas. E eu penso que tudo poderia ser diferente, tudo poderia ser tão diferente. Mas a minha sabedoria me diz que tudo seria exatamente igual. Então, tudo vai ficar como está. Tudo é, apenas.
Qui 8 Jul 2004

Essa dor de cabeça, esse desejo, essa vidência.
Que careça em ti o meu excesso
Que me falte o que tu tens de sobra.
Que em mim perdure o que te morre cedo
E que te permaneça o que tenho perdido.
Que cresça, se desenvolva em teus sentidos
Que em mim desapareça.
Dá-me o que de possuir tu não te importas
E eu multiplico o que te falta e em mim existe.
Para que nosso encaixe forme uma unidade.
Indivisível.
- Que não se possa subtrair uma metade.
Bruna Lombardi
Ter 6 Jul 2004
…tudo começa novamente, e eu mais uma vez livre, livre, voando pelo mundo, uma bolha de sabão pelas curvas do vento, indo anexar-me sabe Deus onde, e sabe Deus com qual finalidade. Indo, apenas; indo para depois descobrir porquê. É como ficar leve, é como perder alguma coisa no meio do caminho e só perceber muito depois, quando não importa mais, quando nada mais interessa, nada do que você carregava até então, foi tudo inútil, tudo sem sentido, não há motivos bons o suficiente para me fazer voltar atrás e recolher do meio da poeira da estrada aquela coisa que eu deixei cair. Então fiquei leve e gostei. Dá medo, mas é bom. Fica sendo bom sentir medo. Fica sendo inevitável vencer o medo, só para provar um pouco mais daquela doce ansiedade, daquele retorcer nas tripas.
Uma esperança que dorme ao meu lado.
B - Lembro da letra, mas não lembro da melodia.
GR -
GR - Não é possível que você não lembre! risos
B - Cai cai ligação. Cai cai ligação… aqui ontem… mas eu não desisto não.
GR - Acho que eu lembro porque eu nunca cresci. :/
GR - Será que isso é ruim? Ou dá dor de barriga?
B - Risos… Não, não é ruim. Ruim seria não ser criança de vez em quando. Toda criança sente dor de barriga.
GR - Só que eu sou criança o tempo todo, e não sinto dor de barriga no momento… Ah é… Sinto… Só que o nome disso agora é cólica menstrual. Risos.
B - Bem… Os adultos colocam nomes difíceis para coisas simples que acontecem com a gente. As crianças não, elas dizem e pronto.
GR - :/
B - Mas você acha ruim ser criança o tempo todo?
GR - Sim, claro… Falo tudo o que eu penso. Sempre. Sem enrolar.
GR - E é nisso que dá: uma hora eu vou crescer e ficar pra titia.
Seg 5 Jul 2004
Estou encaminhando uma prece para que um dia todos os meus infortúnios possam transformar-se em literatura. Pois se um dia isto acontecer, se um dia eu conseguir transpor com propriedade tudo o que me vêm ao espírito, será como um dia de guerra, de explosões, de colapso estelar, uma nova hecatombe espiritual, novos ódios, novíssimas dores, encantamento no horror do cruel experimento. Estarei postada ao lado de todos os meus maiores medos, enganos e promessas, fiando em uma roca mental toda a matéria-prima da qual minha alma está mais do que cheia. Sei que ainda poderá encher-se mais, até que este dia de iluminação e espanto chegue; sei que nada será suficiente para mim. Sei que desejarei muito mais do que isso, desafiando o cosmos, a dor, a náusea tremenda. Percebo que continuarei assistindo a coisas inacreditáveis – ou absolutamente críveis, por mais odiosas que sejam – e continuarei falando delas, com maior ou menor propriedade. Prosseguirei daqui até o fim descrevendo de maneira incompleta tudo o que viver, tudo o que foi feito de mim, todos os meus sentimentos, meus sentidos, tudo, tudo aquilo que me for possível apreender pelo contato, pela osmose ou pelo mergulho mais profundo em rios hostis. Minha matéria-prima enriquecida, lã de carneiro emaranhada, teia e seda, fezes e ouro puro: preciosidades que continuamente virão, sempre entrando, invadindo-me com muita força…
E as palavras – sou inimiga delas – quem sabe virão, ou talvez, como de costume, deixem-me esperando (eu sempre estou esperando), ou ainda pode ser que ousem enganar-me e expressem coisas que não são bem verdade ou nada além de mentiras sujas. Não confio mais nas palavras do que confio nas pessoas ao meu redor.
O dia em que eu alcançar este nível de expressão – o dia da hecatombe, do colapso maior, do vôo – estarei satisfeita. Não feliz, se o que entendo por felicidade seja a compreensão alheia. Estarei satisfeita comigo, com a minha boa roca de fiar. Mas até então, o que devo fazer? Acumular, encher uma caixa-forte, matar libélulas ou criar um diabo em uma garrafa? Tudo é inverossímil para mim hoje. Qualquer possibilidade está fora do meu alcance, longe, cadáver sem mãe…
Poderei eu amamentar serpentes?
Sáb 3 Jul 2004
É definitivamente estranha essa dor que o fim de um amor-sem-começo faz a gente sentir.
Fica-se a imensa vontade de poder sofrer tudo normalmente, até mesmo com elegância, escutando notas chorarem no sax junto com a gente, mas nem isso se consegue.
Tudo porque não existe dor no fim de um amor-sem-retratos.
E os amores-sem-começo são tão rápidos que sequer dá tempo de bater as fotos.
Que, aliás, só valem as bem felizes: sorrindo e abraçados, entregues aos beijos de língua, com os rostos lado-a-lado de um bichinho de pelúcia. Vale também, é claro, fita em vhs, de viagens para Rio Grande do Sul e lugares zen como a Chapada Diamantina. Ou, talvez ainda, a originalíssima cena da mão tapando a lente da câmera depois da longa declaração de amor.
No entanto, mais sério ainda que a fossa de um amor-sem-retratos é a fossa de um amor-sem-a-música-do-amor. Não é amor. Afinal, quando o romance, posto que é chama, um dia acabar, e a gente sair com as amigas para descontrair, esquecer, e depois voltar chorando na chuva e sem saber direito como abrir a porta de casa. Tentando ficar calma, tentando ver alguma coisa na TV, ligar o rádio, e… o que é que sempre toca no rádio? Exato! Uma música de amor.
Aí, a gente fica sem saber se desliga os aparelhos ou se desliga a vida. Na dúvida, dá uma volta pelo quarto, vai até a varanda, volta, inicia o computador e nesse momento, no entanto, aparece na tela, bem na sua frente, alguém especial e com um carisma… Você pensa “ah não, não quero começar tudo de novo!”. E quem disse que é para começar? Pode ser apenas o início de uma grande amizade. Você já volta a sentir um bem estar ao conversar com alguém interessante, e até sorrir com os pedidos sem cabimento do seu vizinho lindo.
Não adianta desistirmos de tudo. O destino sempre nos ajuda a recomeçar. Mesmo quando estamos diante do fim de um não-quase-amor: ou desistimos de tudo, com os destroços em nosso peito, ou então seguimos em frente, desabafamos com os amigos, tomamos um longo banho e choramos na cozinha.
A partir daí, é só questão de tempo, questão de dias, que se esquece tudo, tudo, ou ao menos acostuma-se com a ausência.
O importante é não perder a esperança e encontrar pela vida, entusiasmados e ingênuos, como são todos os olhos, um novo amor. Um amor dessa vez sem hífens e sem defeitos, como condiz a todo amor de recomeço.
Sex 2 Jul 2004
A teoria que falei lá embaixo: a TPM é uma vantagem evolutiva sim. Nos tempos das cavernas, devia ser uma vantagem matar o macho que não foi bem sucedido na tentativa de reprodução - pra isso os instintos assassinos que a gente tem logo antes de ficar menstruada. Caso o macho tivesse sido tão eficiente a ponto de fertilizar o óvulo e engravidar a fêmea (método macaco de avaliar se um macho é bom), ela não teria TPM e eles poderiam constituir um casal, pelo menos até a mulher voltar a menstruar de novo.
Hoje em dia eu acho que ter TPM ainda é uma vantagem. A TPM, meninas, é nosso direito mensal ao surto. É a época em que ninguém discute - podemos chorar, matar, comer, reclamar, xingar, e jogamos a culpa disso tudo na tensão pré-menstrual. Prático, não? Os homens não têm esse direito, pelo menos não fora das finais de campeonato. Essa convivência com nossos altos e baixos nos faz pessoas melhores, mais adaptadas para lidar com emoções, as nossas e as dos outros.
Tenho convicção de que TPM é mesmo uma vantagem evolutiva, tanto que as mulheres que não têm causas orgânicas pra isso absorvem o conceito da “época de surtar” e acabam surtando também. Não são todas as mulheres que têm TPM, dizem os médicos e eu concordo. Mulheres que tomam anticoncepcional (e, portanto, não têm hormônios flutuando como as sem-pílula) também sofrem com TPM, o que não deveria acontecer. Às vezes nem percebem que já absorveram este conceito e somatizam (doutoras, dá pra falar assim?) a mardita. Seria um jeito constitucional de extravasar as emoções e a fúria que milhares de anos de cultura patriarcal tentaram sossegar?
…
Assinado, Luciana, a quase-feminista que surta em qualquer época do mês.
Qui 1 Jul 2004
Quero escutar “The Shining” por dentro no momento em que estiver olhos nos olhos com ele.
Qui 1 Jul 2004
Qual a vantagem evolutiva da TPM? No que uma fêmea acometida pela tal tensão é melhor (evolutivamente falando) do que um sereno espécime não-tpmístico?
Deve haver um motivo. Minha teoria eu posto daqui a pouco.