Pela janela olho esta manhã dourada que se derrama sobre o dia e tenta inutilmente descongelar a paisagem. Encontro o rio.Ou será lago ? Fico com rio que prevalece porque nasceu do coração, como quando dizemos: eu te amo .
E ele é, hoje, uma mancha marrom e cheira a canela e chocolate e fumega, liquefaz-se, lambe guloso a orla da cidade e o horizonte que se perde do outro lado.
Aqui te encontro. Embora eu te desconheça e não me reconheces. Excito-me na febril visão de águas e neblina e de tua presença ausente emergindo das palavras ébrias, obscenas que me deste a beber e que agora, loucas, borbulham, me ardem nos ouvidos, embriagam minha alma, arrepiam meus pêlos.
Libertinas, transformam em vulcões ardentes os meus seios, explodindo em desejos de ser tocada, fecundada pelo rio, pelo frio, pelo vento.
Despertam anseios de mãos errantes traçando caminhos, escalando cumes, repousando em vales.
Úmido, meu ventre se acende na língua de fogo do verso zinabre que avança e exala um aroma de musgos. Em brasa, o corpo se retesa em arco e crispando-se, as pernas entreabrem entregando-se à lancetada pungente da poesia do estranho.
Sorvendo a última sílaba, grita um grito mudo de prazer e goza, indecorosa.
Junho de 2004
Ter 29 Jun 2004
Seg 28 Jun 2004
Ela descobriu que não quer mais ser Aranha, quer ser Coelha.
Ele não tem direito de escolher. Ele deixou de serMosca, e passou a ser Gato. Risos.
Sáb 26 Jun 2004
25 anos se passaram e eu ainda não consegui possuir a liberdade do vento e nem ter as profundezas do mar. Mas as estrelas do firmamento hão de brilhar neste dia especial para mim e para quem gosta da Luciana-Musa Louca de verdade. Ela tentará para sempre manter a sua esperança, a sua docilidade e o seu espírito criativo.
Que venham mais dias “26 de junho” anunciando o inverno, escondendo a lua prateada e ocultando a imensidão do seu olhar.
Sou talvez cabeça dura não entendo o sofrimento
Não temo a noite escura, sou tal qual uma escultura
Sou há 25 anos talhada pelo vento
Fui tragada pelas águas, sepultada pelas mágoas
Fui queimada pelo sol, sou rio que no mar deságua
Sou terra que a chuva enxágua, dos oceanos sou o atol
Sou neve das cordilheiras, sou espinho, sou roseiras
Sou brisa, sou vendaval, sou a natureza inteira
Sou verdade, mentira, besteira, sou ouro prata cristal
Sou sorriso de criança, sou os passos de toda andança
Sou o paraíso sem fim, sou até tua esperança
Onde tua vontade descansa, desculpe amor, SOU ASSIM.
O abraço e o beijo de Francisco depois das 0h no portão de casa;
O e-mail de Ivo e Ricardo desejando parabéns adiantado;
O Acróstico também adiantado do Mateus:
Linda, não só na aparência, mas no coração.
Unica, em tudo o que faz, deixando sua marca.
Carinhosa, com todos à sua volta.
Importa-se sempre com seus amigos.
Amanhece-se, com ela tornando-se a nossa luz da manhã.
Nada nesse mundo tem tanto valor quanto o
Amor, que ela sabe emanar como ninguém.
Os cartões maravilhosos de Dan, Camila, meu namoradinho de mentira, Gu e Totó;
O recadinho no scrapbook de Felipe no Orkut;
As mensagens pelo celular do Beto e da Paty-Sonho durante a madrugada, e hoje de manhã do Todinho (ahh eu amooo esse sabor… risos);
A maravilhosa ligação do meu amor, Zen, me acordando com uma voz deliciosa e um sotaque muito daqui com acolá. Risos.
Os primeiros comentários da Mosca no blog! Uau! Tô emocionada! E a ligação dela quando eu estava terminando de lê-los.
)
As várias tentativas de falar comigo do meu amor-irmão de Curitiba, o Rafinha, que está em Foz do Iguaçu.
As ligações de:
- Picles (que está aqui em Salvador);
- Kill, meu querido comandante;
- Kruel, para saber o melhor horário para me raptar;
- And, meu vento de Teresina;
- Mateus (que prometeu comer pastéis por mim);
- Tia Carminha, Tio Tan e minha prima Ju (estão no interior e vem aqui amanhã me dar um abraço);
- A seleção de vôlei brasileira acaba de ganhar da Grécia às 11:21h;
- Tio Paulo (direto de POA);
- Do homem da minha vida, o meu pai, que está tomando champagne para comemorar lá em POA (hummm eu querooooooooooo);
- Tia Maritana a passeio em Gravatal.
As mensagens de Parabéns pelo MSN, de: Doris, Pablo, Heleno, Pumpinho, Mosca, Gu (se não me ligar, vai ter confusão, viu?), EKL, Déa, Thi, Zigghy, Dwarf e Juju.
Corte de cabelo. Franja… de novo. Risos. E os parabéns da cabelereira que é minha amiga e me deu o corte de presente.
Os comentários no blog do DO, Betow e da Paty-Sonho (deixou meus olhos cheios de água, também tenho muito orgulho de ser sua amiga).
Obrigada a todos pelo carinho e pelo amor.
Sem demagogia e poesia: Vocês são muito importantes para mim.
Lista atualizada às 16:05h.
Ter 22 Jun 2004
Seg 21 Jun 2004
Ele gosta de estudar e conversar sobre ciências ocultas, ou pelo menos gostava. Diz que se tornou pragmático, e que só acredita na sua visão do mundo e no que pode tocar. Ela acredita em magia, mas, na minha opinião, ela parece mais uma fada com aquela maneira dengosa de falar e aquele jeitinho de enfeitiçá-lo.
Ele é paranóico. É inteligente e TL ao mesmo tempo. Vive filosofando e alimentando as teorias que ela cria. Os dois não conseguem discutir pacificamente, logo estão no meio de um campo de batalhas atirando. Cada qual com o seu tanque de guerra. Brigam, ou porque há falhas na comunicação, ou porque eles adoram se engalfinhar. Ele não presta atenção no que ela diz enquanto conversa no MSN. Eu odeio isso nele.
Ela gosta dele, de abraçá-lo e dormir agarrada a ele. Só não quer fazê-lo lembrar do seu caso/não-caso recente. Adora quando ele começa a falar sobre música, yoga e filmes. Isso são coisas com que ele realmente se empolga. Ele poderia ficar horas falando sobre suas bandas preferidas pra ela.
Mas ela não é como ele. Ela quer mais. E ele não se importa, e se incomoda por ser assim. Mas não incomoda a ela, que gosta daquele jeito dele, sem jeito.
Ela mexe com ele. E ele mexe com ela.
Ela disse pra ele que algo dentro dela mudou depois que o conheceu. No início ela não queria se envolver muito. Mas agora, depois de muitos beijos pelo ar, ela não sabe o que sente e como dizer isso para ele. Talvez através de um texto. Como esse.
E ano que vem ele vai embora morar no Rio Grande do Sul. Isso me deixa triste.
Ela diz que ele só a faz feliz, e que ele é a mosca brilhando na teia dela. Ele se sente meio confuso com isso, ele gosta, mas tem um certo receio.
Ele se sente melhor quando não tem nada a perder. E ele não gosta de admitir isso.
Ele fala pra ela que ele está mudando. Mas ela não quer que ele mude.
Ele é muito sensível, e ela não quer machucá-lo com suas nuances, mas sente que ele é quem pode ferir seu coração. Ele tem um sorriso doce, um rosto de anjo.
Ela diz pra ele que ele é o cara mais legal do mundo, que ele é diferente e especial. E disso ele gosta.
Ela adora os olhos dele, são grandes e castanhos escuros, brilham muito na claridade do flash.
Ele poderia ficar horas deitado no colo dela, sem falar nada. Mas ela quer mais. Mas quem sabe por ele, ela faria isso. Ficar apenas algumas noites abraçada com ele parece sonho.
Quem sabe agora ela esteja pensando nele, ou está pensando num final de semana inteiro com ele, sem problemas de saúde ou distância. Acho que ela está pensando nisso.
Pode ser que ele esteja pensando nela e com certeza está ouvindo música.
E hoje à noite eles conversarão sobre o dia, o trabalho, a vida, as músicas. Ela vai contar como foi emocionante conversar com um colega sobre o movimento punk-rock.
Todos os sonhos e ideais dela se misturam com a simplicidade cheia de esperanças dele. E quem sabe assim, eles se completem de alguma forma.
O tempo passa, as histórias parecem ser as mesmas de sempre. Mas acho que os personagens nunca se repetem.
Sex 18 Jun 2004
“Eu vou dar o meu desprezo/ Pra você que me ensinou/ Que a tristeza é uma maneira/ Da gente se salvar depois/ Num trem pras estrelas/ Depois de navios negreiros/ Outras correntezas”.
O mais difícil ao tentar pensar criticamente o filme CAZUZA - O TEMPO NÃO PÁRA, é separar a razão da emoção.
Para quem acompanhou Cazuza desde os tempos do Barão Vermelho, quem assistiu a sua ascensão e seu triste definhar, está na tela a oportunidade de ver o mito renascer.
A magistral interpretação de Daniel de Oliveira, a trilha sonora que recupera grandes sucessos, o passeio pela trajetória do cantor carioca, tudo parece funcionar como uma emocionante viagem no tempo.
É claro que, analisando-se com o coração de lado - se isso for possível -, talvez a gente perceba algumas imperfeições no roteiro e na direção.
O personagem Cazuza é grande, forte, polêmico o suficiente para render um bom filme. Não temos como dimensionar o impacto da obra sem a presença da figura real de Cazuza, inevitável nas nossas lembranças. Mas será que uma platéia alheia ao sucesso do cantor se emociona? Será que esse filme pode sobreviver no mercado externo, por exemplo?
Inevitável dizer que a obra é um grande vídeo-clipe, mas um clipe dos bons. A fotografia é sensacional, crua. Os momentos de emoção são mostrados de forma sutil (a descoberta da AIDS, os desentendimentos com mãe e pai), sem forçar a barra. Também não foi suavizada a “porralouquice” de Cazuza, que tinha uma relação inusitada com seu próprio corpo, uma liberdade sexual típica dos anos 60-70, em plenos 80, sexo compartilhado com quem lhe apetecesse. Mesmo assim, o filme não é apelativo e consegue pincelar com competência essa volúpia inesgotável.
O mérito do roteiro foi conseguir condensar, em uma hora e meia, a genialidade e a rebeldia do exagerado Cazuza. Por isso que muitos ficaram de fora, e que bobagem Ney Matogrosso revelar que um filme sem a figura dele não seria uma cinebiografia de Cazuza. Impossível seria uma obra que contemplasse a todos os namorados e amantes do cantor.
Mas, é preciso que se diga: alguns personagens não são desenvolvidos a contento, caso de Bebel Gilberto e o resto da tchurma dos botecos cariocas, que só aparece como componente do cenário nas orgias e bebedeiras de Cazuza. Alguns, caso do personagem do ator André Gonçalves, praticamente não possuem fala.
Muitos diálogos, também é verdade, soam absolutamente artificiais, pois são frases feitas, de efeito, escritas, recuperadas de poemas, de cartas, e não palavras para serem ditas. Aliás, os diálogos iniciais são constrangedores, pois jogam de cara a genialidade do Cazuza, mas em circunstâncias rotineiras, que resultam forçadas.
Enfim, são pequenas imprecisões que acabam ficando diluídas frente aos grandes méritos do filme, em especial, a soberba interpretação de Daniel de Oliveira. O jovem ator, e já virou lugar comum dizer isso, incorpora Cazuza em todas as suas facetas: na ponta da língua (presa), no sorriso, nas caretas, nos gestos. O filme funciona porque o ator consegue representar na tela o maior dom que tinha Cazuza: o carisma. Uma criança grande que arrebanhava corações com sua simpatia carismática.
Outro ponto alto é Marieta Severo, que vive um de seus melhores papéis e se consagra como uma das três grandes atrizes brasileiras do momento. A sua Lucinha - e Cazuza sempre dizia ver a mãe mais jovem em Marieta - alterna momentos de extrema emoção, com seu zelo extremo de mãe protetora, com seus medos e suas angústias ao perceber que tem em casa um ser raro, e os seres raros são mesmo imprevisíveis. A cena do hospital, em Boston, é uma das mais emocionantes do filme, e ela funciona apenas com a transformação do olhar dessa excepcional atriz.
Reginaldo Faria - que tem ao menos uma grande cena, pois sua figura é mais ausente - segura de forma competente a difícil tarefa de representar o pai de Cazuza. A galera do Barão (os atores ensaiaram as músicas, nota por nota) também está bem verossímil, em especial Frejat, que aparece como um peixe fora d’água, uma figura sensível mas bem mais careta que o endiabrado Cazuza.
As lágrimas escorrem sem esforço. Não há dor maior que constatar, mais uma vez, e desta vez no cinema, a grande lástima que foi perder uma figura polêmica e genial como Cazuza, tão cedo. Em certos momentos, pensamos: já que é um filme, bem que tudo poderia terminar bem. Mas não termina, todos sabemos. Cazuza sai de cena com a mesma rapidez que entra.
E nós nos percebemos ainda órfãos, ainda carentes de ídolos que destruam as fronteiras que tentam nos impor: até onde podemos ir, onde nasce a loucura e morre a normalidade, onde fica o certo e onde termina o errado. Cazuza, da linhagem de Cássia, de Tim, de Renato, fez o que quis, não se importou com o que os outros pensavam e faz uma falta danada no meio de nossa caretice cotidiana.
”Meus heróis morreram de overdose/ Os meus inimigos estão no poder/ Ideologia/ Eu quero uma pra viver”.
Qui 17 Jun 2004
Eu já assisti e recomendo. O ogrinho e a sua esposa estão ainda mais fofos e graciosos. Risos. Eu apenas confirmei que os príncipes encantados não estão mais com nada. O negócio agora é ogros de sentimentos puros.
Destaque no início do filme para a lua de mel do casal, com a trilha sonora “Accidentally in Love” da minha banda adorada CC (Counting Crows). Não percam! O post “Oh, If You Stay” foi inspirado no filme Shrek 2 e no clip The Wild Ones. Os dois são maravilhosos!
Qui 17 Jun 2004
Ao reconhecer a voz do outro lado, eu começo a imaginá-lo caminhando pelas ruas do bairro onde moro. Um sujeito alto, moreno claro, magro, cabelos cacheados, calça jeans e camiseta colorida de malha. Todas às vezes que ele pisa os pés por aqui ele liga. Pergunta como estou enquanto caminha em direção a uma das ladeiras com o objetivo de me alcançar. Faz tempo que eu não o vejo. Que eu não desejo vê-lo mais. Mas é difícil para ele continuar a sua vida sem a minha voz, sem os meus números, sem o meu endereço, sem os meus beijos, sem o meu contato. Ele acha que ainda faço parte da sua vida, e por isso sempre procura maneiras de me pôr a par da sua existência e dos seus progressos. Eu gosto dele como pessoa, e gosto de ser a pessoa que ele me tornou. Mas ambos sabemos que não existe a possibilidade de amizade entre nós. Não entendo porque ele não assimila a palavra “adeus” pronunciada pelos meus lábios.
Ao desligar o telefone, eu termino a visualizá-lo tomando outro rumo… Depois de responder que não o veria. Mais uma vez.
Qua 16 Jun 2004
Ligo o rádio e a canção me faz dançar enquanto cozinho. O dia está repleto de pontinhos molhados caindo sobre o telhado. Enquanto ecoa a frase “Oh, If you stay”, abro as venezianas do meu cérebro… Ele me mostra um arco-íris numa camada superior ao céu nublado. E você, parado, do outro lado da rua com o guarda-chuva aberto. Por certo nota que a chuva parece não dar trégua aos pássaros. Eles se desmontam em pedaços para se infiltrarem pela terra em busca de minhocas – o alimento dos seus filhotes enclausurados nos ninhos. Não há liberdade por toda parte. Sinto-me como eles, presa em recintos que eu mesmo me imponho ou construo, e nem precisa estar chovendo assim.
Oh, If you stay…
Encontro possibilidades de brincar com a vida ao me direcionar a varanda. Algo como percorrer a linha do horizonte com a ponta dos dedos durante o amanhecer. Perseguir o caminho das cores e saber se existe ou não um pote-cheio-de-ouro ou um duende-verde-narigudo no final. Será que devo fazer pedidos pela humanidade? Porém, o mais importante agora é apertar o seguinte botão para todas as ações: slowmotion. Infelizmente não posso parar o tempo enquanto você não chega.
Oh, If you stay…
Eu tatuo o seu nome embaixo do meu seio esquerdo. Com fonte serifada. Meu estigma: dor, alegria, amor. E deixo sangrar enquanto viver. Por dentro, o meu coração se encontra da mesma forma. Não tenho mais a visão do seu sorriso. Caminhar pela praça e colher as folhas de papel que caem, já não me consola. Lembro que debaixo de cada das árvores, a sua língua já procurou a minha.
Oh, If you stay…
Ao passear os olhos pela cidade noto os pecados expostos através de palavras nas sacadas dos prédios. Eles parecem ofuscar mais outros brilhos do que o reflexo das minhas lágrimas. Choro pedaços de vidro, por isso tenho o rosto todo retalhado e cheio de cicatrizes. Essas dores já me marcaram demais. Redesenharam o meu olhar.
Oh, If you stay…
Preciso de um herói. Um herói que me liberte dessa torre. Dessa prisão interna que construí para me abrigar e me defender de mim. Preciso de um herói com a sua doçura e com poderes contra a ação da natureza. Ando farta das teorias de aranhas e porcos, das leis de Murphy e de procurar namorados por um dia. Cansada de ver os cachorros de madame serem penteados em salões e crianças jogadas em latas de lixo. Exausta das dificuldades, derrotas e encruzilhadas que os segundos, às vezes, propõem. O mau tempo sobre as nossas cabeças parece pairar, testando a nossa capacidade de flexibilizar sonhos e sentimentos.
Oh, If you stay…
Trago para junto de ti o vento e pétalas de flores. Das minhas mãos eu liberto bolinhas de sabão para estourarmos nossos medos, nosso passado triste. Gostaria de viver contigo num reino muito muito longe das coisas ruins, assim poderíamos ser felizes para sempre e um dia. Eu e você, meu ogro encantado.
Por favor, quem tem acesso a Internet via conexão rápida, não deixe de baixar um dos clips românticos mais lindos que eu já vi: Wild Ones da Suede. É tão doce… As cores escolhidas dão uma delicadeza, uma suavidade e uma beleza incrível ao material. Ai ai… como eu queria ter sido escolhida para contracenar com meu amor, Bret Anderson. Ele acha os olhos da Adriana Lima os mais bonitos que ele já tenha visto, isso é porque ele não viu os MEUS (a modéstia foi parar no pé agora).
)
Seg 14 Jun 2004
Seg 14 Jun 2004
“O gênio original pinta “o que vê” e cria novas formas a partir do nada é um mito romântico. Mesmo o grande artista – e ele mais do que os outros – precisa de um idioma no qual trabalhar. Apenas a tradição, tal como ele encontra, pode lhe fornecer o material imagético de que ele precisa para representar um evento ou um fragmento da natureza. Ele pode remodelar essas imagens, adapta-las às suas tarefas, assimila-las às suas necessidades e transforma-las para além do reconhecível, mas ele não pode representar o que está na frente dos seus olhos sem um estoque preexistente de imagens adquiridas como não pode pintar sem o conjunto de cores preexistentes que ele deve ter na sua palheta.” – Lucia Santaella.
Arf. Não agüento mais pesquisar salas de estar interessante para o meu projeto em 3D. Preciso encontrar uma muito bonita para modelar ainda essa semana. “Oh vida, oh dor, oh azar…”
Dom 13 Jun 2004
Oh santo dai-me forças para esquecer cada flor que roubo dos teus jardins nos bancos dos coletivos. Incentivos que servem aos subúrbios distantes onde habitam meus hábitos e meus desejos. Dai-me alimentos, sustentos e poucos sustos que de muitos já estou cheia. Fazei-me forte e disposta, me subtraia os desgostos que se desenham nas tempestades por trás dos montes. Dai-me serenidade nas frontes de batalha, livrai-me da mortalha e dos beijos sem sabor. Dai-me um grito de sorte, um sorriso de morte, alguma coisa sem cor. Algum algo, algum amor.
Oh grande amigo de horas tristes rabisca do teu caderno meu telefone e me liga quando eu estiver acordada. Mantém-me sedada e feliz, leva-me pra longe da matriz do meu choro, ensina-me outro nome pra agouro, pra casa não voltes com desaforo. Se me permites te digo: três tigres prum prato de trigo. Matei todos sem muito esforço, para que apareça mais um eu torço - quero ver até onde agüenta, quero ver quantas vezes mais ele me tenta, o chifrudo. Quero ver se tem nervo e audácia, se não é tudo falácia, mal-cheiro, falta de ter o que fazer. Tem-se comigo muito tempo pra perder.
Oh querido, trinta e cinco são meus nomes, não me compres pelo que valho nem encontres comparações. Seu mês de junho é o meu mês também, somos como rosas nascidas no inverno, gostamos de chuva e de frio. Ouve o conselho do teu tio, vai lá e marca o gol, esquece das casas de maio, esquece dos dias com sol. Olha aquela nuvem lá parada, faz uns três dias que não se mexe: acho que vai chover. Olha aquele cachorro na prateleira, é verde e sanfona, nos vê desconfiado e tem dois pregos na parede. Faça o que eu digo e não ouça mais ninguém, quebre os seus discos do Engenheiros do Hawaii e vá pra Sananduva, não se atreva a tomar Fanta Uva, especialmente com cachaça. Não ouça o que eu digo - faça.
Oh santo dai-me olhos de aço e pele de seda, falai-me sílabas tônicas sussurradas em ouvidos. Sujai-me de salivas, suores e abraços intermináveis. Matai-me batidas cardíacas a mais de cem e chuvas finas nos cabelos e mais nada. Contai meus passos nas escadas, evitai minhas vontades de elevador. Deixai meu verbo bem flexionado sem a ajuda de um professor.
E eu te pergunto onde está a resposta? Nos olhos do santo, com o mesmo nome da pessoa que me gerou.
Post inspirado na Trezena de Santo Antônio, santo que minha avó é devota.
Hoje, dia 13 de junho de 2004, dia de Santo Antônio, meus avós completam 53 anos de casados (Bodas de Ouro).
Obs.: As fotos do show de Flávio Venturini estão na seção de Fotos deste blog.
Sáb 12 Jun 2004
Um amor pode ser de vários tamanhos, pode ter várias formas, vários pesos, várias medidas. Pode ser profundo ou superficial, maduro ou infantil, longo ou curto, pode passar como um tufão ou como uma brisa de verão.
Um amor troca confidências, troca juras, troca feitiço, troca dúvidas e experiências. Pode ser forte ou fraco, distraído ou atento, pode vencer tormentas, dissabores e oferecer alento.
Um amor pode sobreviver a distâncias e atravessá-las num segundo através do pensamento. É como um vício, uma droga, desencadeado por uma paixão ardente. Produz sorrisos, momentos perfeitos, produz sonhos e insônias, produz palpitações, angústias, agonias e ilusões.
Um amor verdadeiro se perde no tempo, caminha pelo passado, atua no presente, se encaminha para o futuro e adormece na eternidade.
Um grande e verdadeiro amor ilustra noites enluaradas e dias ensolarados.
Um amor tem lembranças de lugares, de cheiros, de músicas e de sons. Tem sabores, às vezes doces, outras vezes amargos, mas todos sempre bem saboreados. Pode iluminar a vida ou escurecer o coração. Pode ser real, virtual ou transcendental, porém sempre será igual. Pode ser impossível, improvável, mas pleno no coração. Pode ter testemunhas ou ser oculto e mesmo assim ser vivido intensamente. Pode ser clandestino e anônimo, pode ter o nome de uma flor e ainda assim ser um grande amor.
Um amor de verdade pode ser castigado pelas agruras da vida e persistir inalterado e majestoso. Pode jamais se consumar e ser forte como uma rocha, profundo como o fundo do mar. Pode ser arriscado, difícil, perigoso, inadequado, mas mesmo assim almejado e correspondido. Pode sobreviver a intrigas, invejas, calúnias e sair vencedor. Não vê idade, cor, religião, raça ou aparência, não tem preconceitos, nem preceitos, não faz distinções.
Um amor não fere e se ferir, assopra. Tem marés, altas e baixas, fracas e fortes. Pode ter muitas histórias, fabricar poemas, inspirar versos e canções. Não tem perguntas, porque jamais necessita de respostas. Precisa para adormecer a companhia de um outro amor e para despertar um toque desse mesmo amor. Pode ser contido, travado, reprimido, ou declarado.
Um verdadeiro amor pode subir montanhas, cair em precipícios, atravessar desertos, envolver-se em tempestades, afundar em oceanos e ainda assim sobreviver. Pode dar frutos e lançá-los ao mundo cobertos de amor também.
Um amor tem cheiros e cores, o cheiro da maçã, o branco da paz, o azul do afeto, o rosa do carinho, e o vermelho da paixão. Comete loucuras, pecados, milagres e magia por vezes se arrepende e volta a cometê-las novamente. Dá espaço, cede momentos, expõe idéias, lança argumentos, sem jamais violar sentimentos.
Um amor pode escravizar-se e sentir-se livre. Um amor profundo acontece, resplandece, revigora-se e amadurece.
Um amor pode ser sábio, desinteressado, confiante e altruísta. Pode se perder na poeira do tempo pode se desfazer através dos anos, mas sempre terá sido um amor imenso. Pode ser eterno ou fugaz, pode ser o primeiro ou o último, novo ou velho… Mas ardente.
Um amor só não suporta ser vivido, sonhado e mantido sozinho. Um amor precisa de outro amor para sobreviver, se assim não for, não terá sido um amor, terá sido apenas uma grande dor.
Feliz Dia dos Namorados.
Qua 9 Jun 2004
Gosto de saber que o meu corpo possui extensão quando deito na cama. O travesseiro é só uma ponte para chegar devagar até ela – o seu corpo.
Qua 9 Jun 2004
Tenho sim, de sair mais, visitar endereços, dizer alôs telefônicos, calar minha telepatia. Difícil companhia, só a de meus escuros, meus escritos, meus sabores e meus cheiros.
Dom 6 Jun 2004
Com o Pé Embaixo das Flores Sob as Nuvens Carregadas
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Formando um ser em perfeito equilíbrio.
“Daniel, you’re a star in the face of the sky”.
Sex 4 Jun 2004
[ Você tem sangue quente correndo nas veias? Então leia esse texto-declaração-da-alma-e-dos-instintos até o final. ]
As rosas orvalhadas são belas, deixam brotar lágrimas de alegrias. Se são botões, brotam esperanças no jardim do meu mundo-criança…
No espelho cristalino transparece meu rosto como que pintado em louça, e meus seios – plumas levantam asas sob teu corpo já em formas. Nua, sempre em sinuosas revelo-me mulher, alimentando-o com a flor nudez da minha primavera, inclinada sobre o lençol. Meus cabelos soltos refletem sol aberto – brisas marinhas, e, propositadamente silenciosa. Em sons de melodia tocas harpa na partitura clara do meu corpo úmido e sensual, sorve beijos dos meus lábios quentes, percorrendo tua estrada. Amamos por inteiro num complemento extasiante, que desenhas em meus cabelos. Em riste, abrem-se pétalas da minha rosa orvalhando o teu chão. Tu Insistes em colher a pérola que existe em minha concha, enquanto suavemente percorro pelas maçãs do teu rosto e frutos mais no pomar do teu corpo. Debruçado em meu dorso ondulante, aveludado de sol – nascente, inclina-se depois nos bicos dos meus seios tensos e perfumados.
Nosso mistério escondido explode em fogo e labaredas ardentes, em beijos, sensuais aromas exalam encontrando teu norte, quando unidos atingimos em relevo a estrada desejada escaldante de anseios. Nossas metades chovem depois de percorremos vales – murmúrios da noite. Meus impulsos cedem ao teu corpo hercúleo, ávido de desejos, nossas mãos e dedos nus caminham macios sobre os corpos tensos, banhando nossas mentes espontâneas e naturais, sensibilidade do amor. No meu corpo – sândalo, expelem perfumes, frescor da própria pele no odor do abraço insano, no teu tronco sugo todo o calor – delírio, e no silêncio – gemido, monólogo e diálogo do sexo, beijo teus lábios. Aos anseios carnais num inteiro vibrar de corpos, revelo-me puro pecado e tu puro prazer. Num vai – vem brindamos a dois as delícias das entranhas no compasso da ele, fazendo arder uma só chama em flutuações rítmicas, provocantes, sensitivas. No viril cavalgar o gozo e o prazer na ânsia de se dar em beijos delirantes, o oscular harmonioso, o calor – fervor do amor, brindando a existência concreta, iluminando instantes novos, seqüência de prazeres e doçuras mornas. Em ritmo cadente, meus seios acoplados ao teu tronco contorcem sensuais, te deixo deslizar em minhas curvas, meus côncavos e recôncavos e em versos aos meus ouvidos já percorridos, pousa no meu olhar – granada, veja meu semblante irradiado de amor transparente e desça em força viril, galgando meu nome Vênus, mergulha em minha ilha banhada e morna, juntos, unidos, dividimos os orgasmos na bela luz do teu olhar risonho.
Juntos sempre, na cheia, na nova, ou na crescente, na luta e no repouso, contigo estou em todas as estações imperativas de amar e contigo me enlaçar, para tecer trama com nossa volúpia, invadir meu território, demarcar limites, escorregar no sabonete – sândalo. Quero acelerar tuas manhas, fazer teu jogo, usar meus dados, minhas mãos, minha boca, meu jogo de amar e amar pleno.
Invada minhas entranhas depois de beijar meu ventre e aflore no meu eclipse. Juntos sempre, em todas as fases lunares, na luta e no repouso, vibra nosso amor, trocando segredos no culto do existir.
Ter 1 Jun 2004
E se me perguntarem o porquê,
eu explico:
é o mistério do seu ser,
do seu gosto,
da sua voz e do seu suspiro,
que a cada momento eu vivo
na esperança de um dia
realmente lhe ter.