Folhas ao Vento

Quote

Na orla do vento movem
Seus corpos mortos as folhas.
E ora das folhas choram,
Ora onde inertes não movem
A chuva de Outono molha-as.
Não há no meu pensamento
Vontade com o que pensar,
Não tenho neste momento
Nada no meu pensamento:
Sou como as folhas ao ar.
Mas elas certo não sentem
Esta mágoa inteira e funda
Que os meus sentidos consentem.
Nada são e nada sentem
Da minha mágoa profunda.

Fernando Pessoa

de fruto a bala

não tenho interesse pelas raízes
escolhi frutos maduros quando possíveis
frutos que se fecham quando reta
frutos feitos rua enquanto passagem
de dentro para dentro entre nadas
assim fruto quero o óbvio
algum assim feito volver de um óvni
assim fruto torno-o bala
bem mais míssil – alvo a domá-la

O meio do caminho

Era, afirmavam, uma grande pedra no caminho. No único caminho que ligava a cidade às outras cidades. Como chegou, como tirar, quem poderia carregar ou quebrar, ninguém fazia a menor ideia. Afirmavam ser uma pedra, chamavam de pedra, e se acreditavam sem força para retirá-la do caminho. Exposta ao sol e a chuva, a cidade dela jamais se aproximou. O tempo passou como sempre, e naturalmente o tempo passa, e o que chamavam de pedra desapareceu. Desapareceu como um dia surgiu. Mas agora, de nada adiantava ter-se novamente o caminho. Sem comunicação com outras cidades, faltou alimento, e a cidade não existia mais.

you stole the sun from my heart

Desde que o levou, a noite encurvou-se como uma nuvem densa e pesada. Tudo se tornou escuro e sufocante. Eu sinto o corpo modificando, sentindo falta do calor, murchando sem luz. Estouram estampidos por perto sem que eu decifre o que se trata. Os meus olhos abarrotados do mesmo não distinguem mais o que eu desenho, nem as duras penas que passo, povoando insuportavelmente o meu ser.

Desde que o pegou, o universo noturno criou uma vastidão e um frio intenso aos meus dias. Em vão tento distrair-me do cotidiano para que não sinta falta do calor e da magia. Vago pela casa repetindo os cômodos com a insônia como companhia. Escuto o vento e espero a desintegração do tempo e dos sonhos. Segundo a segundo de agonia.

Enquanto todos dormem, atravesso a indiferença dos sonhadores e dos mortos, de os olhos abertos, sem brilho, e terei que me acostumar às caminhadas dessa maneira. Sem enxergar as beiradas dos abismos.

Desde que você arrancou o sol do meu coração num breve suspirar, a vida me carrega lentamente. E eu espero, sempre espero vê-lo voltar. Estar face a face novamente. Numa longa conversa sobre encontros e diferenças. E ver o meu sol nos seus olhos a cada piscar. E quem sabe um dia, eu consiga abraçá-lo e sentir o seu coração aquecido com todo o amor que esse sol pode proporcionar.


Soundtrack: You Stole The Sun From My Heart – Manic Street Preachers

para o natal

eu gostaria de agradecer a todas as pessoas que foram muito importantes no meu ano. não, não gente, não fiz download do espírito natalino, nem nada parecido. apenas eu estou usando o Natal como desculpas para dizer mais uma vez o quanto eu os amo e os quero do meu lado sempre, sem importar a época, a estação ou o estado de espírito. risos.
que cada um de vocês tenha um natal maravilhoso, em família, ou com amigos, ou com o animal de estimação, ou sozinho, lembrando que o que importa é que temos sempre alguém que se preocupa e que quer a nossa felicidade em algum lugar do Universo.
por isso eu desejo pra você muita tranquilidade, generosidade, paz, saúde, din-din no bolso e muito muito amor. feliz natal! :)

Cummings

Lady, i will touch you with my mind.
Touch you and touch and touch
until you give
me suddenly a smile, shyly obscene

( lady i will
touch you with my mind.) Touch
you, that is all,

lightly and you utterly will become
with infinite ease

the poem which i do not write.

espiral do esquecer

eu poderia passar horas escrevendo sobre tudo o que se passa em minha cabeça enquanto os dedos escorregam pelo teclado de um lado para outro. eu poderia inventar títulos para a quantidade de livros que um dia eu pensei escrever, e a mocinha, e a vilã e a tia chata de todos eles era eu, eu e eu. mas de que adiantaria? o conteúdo viraria numa tremenda espiral para baixo e sem fim.
têm dias que o fundo do poço te dá uma energia revigorante de recomeço. o fundo do poço é largo, e é sempre maior para quem tem costas largas como as minhas. é também muito profundo, e na sua profundidade, você acredita que pode nadar e nadar no seu vácuo sem correr o risco de se afogar, de morrer mais ainda, já que está tão destruído por dentro.
a melancolia que vem do fundo te abre espaços para novas sensações esquecidas, para oportunidades que você deixou passar, para percepções de coisas que você não via, não cheirava. muito mais interessante do que bendita/maldita paixão, pois essa além de trazer a sensibilidade, carrega consigo uma densa cegueira.
eu poderia passar horas falando de mim, da minha dor e dos meus planos desfeitos, e em tudo o que eu pensei pra nós dois. eu poderia passar horas e horas falando apenas de mim e mudando esses planos para um mundo egoísta em que só eu vivo nele. eu poderia… não falar nada. apenas esquecer.
e, é talvez nisso que eu queira me focar agora: esquecer.
mas esquecer do que mesmo? de viver intensamente? de quebrar a cara me abrindo para a vida? para o amor? para o não como resposta?
eu não tenho medo de morrer. morro todos os dias. morro todas as manhãs. e morro só de imaginar que eu não viva tudo o que eu queria viver nessa vida.
e morro só um pouco ao tentar escrever esse desabafo e imaginar que as minhas palavras podem fazer sentido para alguém, porque não é pra fazer. é só um desabafo, algo raro de eu fazer. assim, tão claro.
de alguém que talvez precise de drogas pra dormir.

Bend and Break

When you when you forget your name
When old faces all look the same
Meet me in the morning when you wake up
Meet me in the morning then you’ll wake up

If only I don’t bend and break
I’ll meet you on the other side
I’ll meet you in the light
If only I don’t suffocate
I’ll meet you in the morning when you wake


Soundtrack: Bend and Break – Keane

Put A Record On

I put a record on
Put it on and sing along with you
Sing along with you
And that’s okay by me
That’s okay ’cause in a way I’m free
In a way I am free

And you don’t have to sympathize
I will try and dry my eyes

And I’m okay if we’re drinking
Grab a beer and disappear with me
Disappear with me

And you don’t, you don’t have to sympathize
I will try and dry my eyes

And I put a record on
Put it on and get it on with you
Get it on with you

This time you’ll find some other gonna mess your mind
It’s too late or too soon
Some other gonna come too soon

Put it on
I will try and dry my eyes
Put it on
Am I something you despise?
Put it on
I will try to dry my eyes

I put a record on
I put a record on
I put a record on
Too soon

Put it on
And I will try and dry my eyes
Put it on
But am I something you despise?
Put it on
I will try to dry my eyes, my love


Soundtrack: Put A Record On – Unkle Bob

we need to decide.

estou cansada desse vai-e-volta. dessa indecisão. dessas várias oportunidades que nunca chegam, ou sempre chegam, e eu deixo passar.
dessa vez, nós dois juntos vamos ter que decidir. se você não vem, eu vou até você. e ponto final.

cansei de ficar sentada esperando. não vai mudar. já se passaram 3 anos. e o que nós dois sentimos, de uma hora pra outra volta, e retorna, ora fraco, ora tão forte.

eu sei que você só vem por minha causa. eu também só irei por sua causa. não me interessa nada além disso. nenhum passeio. eu quero ver de perto o brilho dos seus olhos.

“there’s just one place for me, near you”. (near you, marlene dietrich)


Soundtrack: Bruised – Ben Folds

Leve

Eu ando tão leve que posso até flutuar no mar. Mas flutuar não é estar apaixonada? Posso estar apaixonada pelo mar? Pela vida? Por você? Leve. Leve. Tão leve. Sinto-me leve como se todo o peso dos meus ombros tivesse indo embora com o seu sussurrar nos meus ouvidos. A sua voz doce embalando as minhas noites e meus sorrisos. Agora o Superman já pode voltar a voar. Pra longe ou. Pra dentro de mim. Tanto faz. Minhas idéias estão tão leves que flutuam em meus olhos. E quando eu puder quero. Uma noite enluarada, uma vitrola a tocar melodias doces e suaves, os teus braços ao redor do meu corpo me protegendo e me amando… de um jeito leve, leve como o seu olhar. E não quero me fazer perguntas tão diretas, nem saber o que vai acontecer amanhã. Só quero dormir enrolada em suas coxas. Flutuar e mergulhar no mar. Passar o dia fazendo nada, ou fazendo tudo, com você.

Waitin’ For Superman


Asked you a question
I didn't need you to reply
Is it gettin' heavy?
But they'll realize
Is it gettin' heavy?
Well I thought it was already as heavy
As can be

Is it overwhelming
To use a crane to crush a fly?
It's a good time for Superman
To lift the sun into the sky

'Cause it's gettin' heavy
Well I thought it was already as heavy
As can be

Tell everybody
Waitin' for Superman
That they should try to hold on
Best they can
He hasn't dropped them
Forgot them
Or anything
It's just too heavy for Superman to lift

Is it gettin' heavy?
Well I thought it was already as heavy as can be.

Tell everybody
Waitin' for Superman
That they should try to hold on
Best they can
He hasn't dropped them
Forgot them
Or anything
It's just too heavy for Superman to lift

 

Eu te fiz uma pergunta que
Não preciso que você responda
Está ficando pesado?
Mas eles irão perceber
Está ficando pesado?
Bem, eu pensei que já estava pesado
Como devia ser

É impressionante
Usar um guindaste para impedir um vôo?
É uma boa hora para o Superhomem
Erguer o sol no céu

Por que está ficando pesado
Bem, eu pensei que já estava pesado
Como devia ser

Avise a todos
Esperando pelo Superhomem
Que eles devem tentar esperar
o máximo que eles puderem
Ele não os abandonou
Ou os esqueceu
Ou qualquer coisa
Está apenas muito pesado para o Superhomem se levantar

está ficando pesado?
Bem, eu pensei que já estava pesado como devia ser

Avise a todos
Esperando pelo Superhomem
Que eles devem tentar esperar
o máximo que eles puderem
Ele não os abandonou
Ou os esqueceu
Ou qualquer coisa
Está apenas muito pesado para o Superhomem se levantar


Soundtrack: Waitin’ For Superman – The Flaming Lips

não. fragmentada.

Eu não posso. Eu não estou com vontade. E tudo interage com a palavra que eu mais uso desde que nasci: NÃO. Não sou uma mulher fácil de lhe dar. Geniosa. Eu não quero. Não sou daquelas que tem papa na língua. E sou capaz de perder uma amizade quando deixo de acreditar nos motivos de amar uma pessoa. E quando acredito nesse amor, sou essa pessoa. Eu me distribuo em várias pessoas. Dessas pessoas eu sou trechos de canções e poesias. E as amo tanto. E o meu coração é enorme, minha ternura também. Mas, às vezes, eu não quero saber disso. Nem de ninguém. Preciso de um tempo encerrada em mim mesmo. E por ser expansiva e comunicativa, ninguém respeita quando desejo esse tempo geralmente. Não existe mais a possibilidade de não ser direta, sincera e explosiva. De não ser eu. Mas posso ser outra, sempre outra, outra que se sabe ser eu-outra. Fragmentar-me. Sempre pronta para mudar qualquer coisa. De lugar. De dentro. Ainda em formação do próprio eu. Mas já passei da idade. Não tenho idade. Sou todas as idades juntas. Estou em vários lugares. Estou em todas as etapas e idades. A cada momento, uma parte diferente de mim responde ou age. E vai. Fragmentada. Eu-fragmentada. Eu choro. Choro porque não sou uma apenas. Uma parte chora, outra quer seguir sem olhar para trás. Mas teus olhos me acompanham. Mesmo que eu não olhe para trás. Eu engoli teu olhar e tua maneira de falar ou ver o mundo e as outras pessoas. Você também me absorveu e levou uma parte. E eu tenho uma parte tua para sempre. Mas tua presença abstrata me provoca seqüelas. Já não sou mais a mesma. Mas nunca fui. Nunca fui compreensível. Nunca fui tão clara quanto você gostaria. Não gosto de expor meus sentimentos e as minhas cores. E quando novamente as minhas cores ou tonalidades mudarem, me procure ou as descubra aqui. Num dos meus pedaços fragmentados virados para o lado de fora.


Soundtrack: Yes I Know – Memory Tapes

becoming Jane

“- Ela é tão gótica quanto os seus pensamentos?
- Não em seu exterior, mas sua natureza interior é bastante pitoresca, eu suspeito.
- A verdade de todos nós.”

“- Todas as suas histórias terão finais felizes?
- Minhas personagens terão, após de algumas dificuldades, tudo o que desejam.
- O melhor nem sempre tem final feliz. É uma verdade universal.”

a tua voz

você toca minha perna, e eu olho a tua voz. fecho os olhos para ver a tua voz. para ligar todos os acontecimentos a ela. é a primeira vez que você toca a minha perna, mas já vi a tua voz antes… e visito a tua voz sempre que desejo. a tua voz é tão calda de chocolate quente dentro de mim. e ela escorre como alimento para uma rosa que vai crescendo no interior do meu jardim. onde moram as borboletas e os vagalumes que te esperam nas noites frias cobertas pela manta rosa.

dos absurdos da semana:

- eu não vou fazer nada que você não queira…
- alguma mulher com os seus 30 anos ainda cai nisso? é o mesmo que dizer “só a cabecinha, amor”!

- estou doente, mas estou passando aí para te ver.
- mas sou eu que estou doente.
- não tem problema, estou passando aí para te ver.

- bom dia. pensei sobre você e cheguei à conclusão de que quero algo platônico contigo.

- por que me exclui da sua vida já que pertences a mim?
- porque eu já sabia que você era um idiota, mas mentiroso…

while i don’t sleep…

he: put your head on my knees. I gonna tell u a tale.
once upon time there was a boy called “V”.
he was so bad boy in his city.
he paints cats and birds to blue, yellow.
one day while he was walking down the street. he saw a huge tree.
so huge tree… he’s never seen a tree like this before
then he got an idea. he went home and took some stuff and turn back near the tree.
he started climped. and go on…
he climped more 5 hours but he couldnt see the top of tree.
this situation makes him good and gives him extra energy.

me: do you think that i need to climp a big tree?

he: no. I think that you need to sleep while listening that bad tale…

depoimento de um vagalume (declaration of a firefly)


As criaturas da noite
Um vôo calmo e pequeno
Procuram luz aonde secar
Peso de tanto sereno
Os habitantes da noite
Passam na minha varanda
São viajantes querendo chegar
Antes dos raios de sol

Eu te espero chegar
Vendo os bichos sozinho na noite
Distração de quem quer esquecer
O seu próprio destino

Me sinto triste de noite
Atrás da luz que não acho
Sou viajante querendo chegar
Antes dos raios de sol

  The creatures of the night
A small and peaceful flight
Lookink for the light to dry
Weight of so much serene
The inhabitants of the night
Pass on my porch
Are travelers wanting to come
Before the sun's rays

I wait you to come
Seeing the bugs alone at night
Distraction that who wants to forget
Your own destiny

I feel sad at night
Lookink for the light that I don't find
I'm a traveler wanting to come
Before the sun's rays


Soundtrack: As Criaturas da Noite – Flávio Venturini

Do céu sem estrelas

Debruçada na janela. Lá está você. Só. Admirando o céu sem estrelas. Você se encontra assim, meio caindo, reflexo, você segura uma palavra. Descendo. Vai. Pára não. Indo.

Você pede então, pára não, pára não, e o céu te abraça, agora, as feições se abriram. Dois olhos te carregam nos braços, e você mora naqueles olhos. Você sorri naqueles olhos.

Do céu sem estrelas. Vão se transformando nas minhas feições. Em braços. Mãos. Seios. Coxas. Entre uma e outra. Joelhos. Balançando. Um joelho encontrando outro. Impaciência. Eu estou. Deslizando. Indo. Abrindo. Recebendo. Escrevendo. Junto com você. No meio. Entre um ponto e outro. Um ponto entre os seios. Um ponto acima do umbigo. Um ponto perto da boca. Dois pontos no braço esquerdo. Nos ombros, quantos? Dois olhos me percorrem. Sua boca me escreve.

superman’s birthday

you smoke fishes. i dance with parrots. i love the sound of your voice. you prefer to joke me. you are the superman. i am just a small firefly. change the channel, V. don’t say anything. just breath. i only need to listen your breath to sleep. and please never forget to tell how precious i am and how complicated you are. leave me alone, but never give up to stay beside me one lovely day and forever and ever. come on. hide my eyes from you while you take off the words I am wearing. i can imagine take a walk across the deep blue sea and inside your dark brown eyes. i can feel your kiss on my wings and watch your good/bad dreams.

i would like to have the world in my hands tonight, only to touch your face and tell all wishes you deserve. you can find my wishes on a green pillow (with white portuguese words) too. and never forget all love, respect, friendship, you and me are building these years.


Soundtrack: Sleep – Conjure One


Sountrack: Every Car You Chase – Snow Patrol vs The Police

The Last Time He Saw Dorie

As longas viagens pela estrada me assombram e me maltratam quando derramam em mim pensamentos do que fui, do que sou, e se algum dia eu ainda voltarei a ser.
As estradas me encontram no olhar perdido, em plantações infinitas, em solos desertos, em nuvens brancas-escuras, carregadas de todos os tons de cinza, amarelo e vermelho, de profunda melancolia, de coisas desejáveis, improváveis ou que eu deixei pelo caminho.
As estradas são misteriosas dádivas, entregues para que carregue a si mesmo e continue o seu passo. Lento ou rápido. Você a segue e não quer parar. Em êxtase com o horizonte obscuro.
As estradas trazem consigo os resíduos de sempre: lembranças de outros mundos, de outras vidas, de lugares cheios de amor, dor, felicidade, neles embalados, músicas para sonhar, tantas coisas que elas conseguem captar desse meu coração amargo.
Palavras, cenas revividas n vezes na minha mente. Quantas eu fui e quantas eu tentei ser por você. Porque eu vivia, vivia e te amava, amava tanto ou mais que a mim mesmo. E eu tentei, juro que tentei ser a melhor pessoa que pudesse existir. Pra você. Tantas palavras foram soltas ao vento. Tantos sonhos desfeitos no espaço, naquele quarto. Tantas conversas, tantos risos, tantas promessas e palavras esquecidas.
Teu perfil voltado para o lado, coberto de lágrimas. O meu coração em mil pedaços. Os dvd’s empilhados na cômoda. Eu ainda me viro na cama de madrugada como se o seu fantasma estivesse no quarto. Como se eu ainda pudesse acordar e dançar com o seu dedão do pé.
What can I hold you with? Com que eu posso prender-te?
Ofereci o que tinha e o que não tinha. Um sol forte. Ruas sujas e coloridas. Um mar em ressaca. Beijos eternos. Eu, pintada de palhaça. Eu, em várias músicas. Eu, na sua música, nas suas mãos pelo meu corpo.
Ofereci o pior e o melhor que eu tinha. Uma lua imensa e solitária no céu. Ofereci todos os meus escritos e segredos, as minhas fotos, minha vida real e virtual, todo humor e tristeza do peito. Lealdade. E um coração pulsante que não sabe lidar com palavras, não empresta sonhos, é imune ao tempo, à alegria e ao desespero.
Ofereci a lembrança de uma lente no farol, uma vista para o mar, uma vista que conheço desde que nasci. Ofereci explicações sobre ti, e uma revolução na tua vida.
Ofereci a minha solidão, minha cama, minha treva, minha paixão, a fome do meu coração, tentando te subornar com a incerteza, o perigo e a derrota.
Você poderia ter sido mesmo o homem da minha vida, o pai dos meus filhos. Por você eu larguei tudo. Meus princípios. Meus conceitos. Transformei o castelo onde vivia. Por você, deixei de lado as estradas. Eu tinha alguém novamente para chamar de lar. Até descobrir que eu é quem não era a mulher da tua vida.
Então elas, todas as flores guardadas na minha alma pra você, finalmente morreram. Foram-se. Descansam em paz.

Eu me reviro no banco do carro, não há mais nada na minha cabeça. Tudo está se esvaindo no vácuo. Sendo também levado pelos cães vadios na calçada. Pelo encontro que não marquei. Pelo sorriso solitário e zombeteiro no retrovisor do carro. Pelas lágrimas que não desceram. Pelas milhares de estrelas na imensidão escura quebrada pelos faróis.

E enfim, a estrada esmagadora encontra-se em mim, na minha cidade.


The Last Time He Saw Dorie

He's in love with tragedy, in love with tragedy
She was a wreck, but he loved her
She was a wreck, but so was he
And the last time he saw Dorie, he didn't know what to say but

"Thank you because you loved me,
It's all on me, cause I didn't want to stay,
I didn't want to stay..."

Live, live, live because you love, love, love
And love'll make you give, give, give
And give and when you break, break, break
But you just want to fix yourself
Just to break again...

 

Na Última Vez Que Ele Viu Dorie

Ele está apaixonado por tragédia, apaixonado por tragédia
Ela era uma ruína, mas ele a amava
Ela era um ruína, mas ele também era
E na última vez que ele viu Dorie, ele não sabia o que dizer mas

"Obrigado porque você me amou,
É tudo em mim, porque eu não queria ficar,
Eu não queria ficar ... "

Viva, viva, viva porque você ama, ama, ama
E o amor lhe fará dar, dar, dar
E dar e quando você se despedaçar, despedaçar, despedaçar
Mas você só quer se consertar
Apenas para se despedaçar de novo.


Soundtrack: The Last Time He Saw Dorie – Copeland

Há quase 1 mês…

Insônia. Pressa. 300 coisas pra fazer. 2 semanas. 1 mês sem você. Sentir falta. Do que exatamente? Pessoas. Cama. Hábitos. Papagaio. Família. Família lá e cá. Família. Pé machucado. Trabalho. Carnaval. Férias. O que importa? Música. Avião. Nuvens fazem companhia. Headphone. Não esquece a cabeça. Esquece de dormir. Putz, o shampoo. Azul. Bolinhas brancas. Saudades amarelas. Vento lilás. Tias. Primo. Família sempre. Excurssão. Rostos. Fotos. Amigos temporários. Muitas fotos. Bois marrons. Guia. Horários. Visitas. Shakira. Monte. Entrecot. Chivito. Colônia. Punta. Cassino. Santo Antônio. Compras. Estradas. Caminhos. Idas. Voltas. Viagens. Mais compras. Cataratas. Itaipu. Relógios. 3 marcos. 7 vidas. Calor. Frio. Chuva. Sol. Pensamentos nublados. Cabelos cacheados. Café do mesmo e diferente. Holandesa. Cueca virada. Tias. Visitas. Equilíbrio. Beijos. Abraços. Amor. Aqui e lá. Onde devo morar? Cabeça a mil. Coração apertadinho. Malas. Muitas malas. E mais dias de estrada…

Soundtrack: Summer Holiday – Terry Winter